Questão de sobrevivência

Posted on 29/05/2007 por

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por Vinicius Andrade

A comercialização de produtos indispensáveis ao cidadão, como em todo bairro residencial, é o principal combustível da economia do Imbuí, e a presença de mercadinhos é o fator fundamental nesse panorama. A disputa diária por sobrevivência dos pequenos estabelecimentos proporciona uma considerável movimentação econômica, atrelada, em segundo plano, à atuação das grandes redes de mercado da região. De acordo com o artigo “Desempenho da economia baiana nos últimos 50 anos: uma análise com base nas grandes áreas”, publicado pela revista “Bahia Análise Dados”, de Luis André de Aguiar Alves, o Imbuí surgiu como bairro de classe média, uma nova área urbana para consumo de bens duráveis, resultado dos investimentos feitos em Camaçari na década de 70. Foi um dos alvos das construtoras e cresceu rapidamente, atraindo todo tipo de estabelecimentos econômicos. O estudante de administração Jéferson Val, de 23 anos, traça um mapa econômico da região, para compreender melhor as suas relações: “O bairro se valorizou muito em 10 anos, um crescimento de quase 400%, pela presença de bancos, farmácias, lotéricas, restaurantes, shoppings. Portanto, propício também à presença de mercados de todos os tipos, já que a população tem um poder de compra respeitável e presumivelmente fiel”.

Extra Supermercado, Clássica Delicatessen, Pão Bom, Panificadora do CCI, Bompreço, entre outros, formam o leque de opções de compra de produtos básicos para a população do bairro. Francisco Cerqueira, 42 anos, dono da “Clássica Delicatessen”, observa a postura do consumidor do bairro: “Nos bairros menores, o costume é de se comprar em mercadinhos, já aqui no Imbuí o povo compra mais nos supermercados. Isso não interfere no nosso desempenho, pois temos o nosso carro-chefe na venda de pães e produtos mais caseiros”.

O também pequeno empreendedor Marcos Araújo, de 30 anos, dono da “Pão Bom” explica a disputa das empresas do bairro: “O Bompreço é mais voltado para a Boca do Rio e Marback, bairros mais populares, não interferindo, na minha opinião. Já o Extra, tem um perfil de cliente mais próximo do nosso, mas mesmo assim somos indiferentes à sua presença. Aqui temos a consciência de que o cliente às vezes deseja rapidez ao comprar, se livrar do tumulto dos grandes mercados e das filas enormes. Em 8 anos nunca ficamos na mão, o cliente é fiel, pois apostamos na qualidade e fidelização”.

Não existe ninguém melhor para falar sobre o tema senão os responsáveis pelas compras nesses estabelecimentos: os consumidores. A dona de casa Cláudia Ramos, de 46 anos, declara: “Os supermercados são ideais para compras em grande quantidade, onde se encontram preços mais baixos e considerável variedade de produtos. Os pequenos mercados são ideais para compras rápidas, quando se quer apenas um item e quando se procura praticidade na hora da compra. Um seria o complemento do outro”.

O funcionário Juvino Rocha, 60 anos, tem a mesma visão da dona de casa: “Quando existe uma necessidade os consumidores recorrem à gente, ou buscam a qualidade de alguns itens que nos grandes não existe”. Ele completa: “O Extra e o Bompreço não deixam de atrapalhar, mas às vezes, por comprarem em grandes quantidades os seus produtos, funcionam até como fornecedores para nós”.

Dessa forma, há uma valorização ainda maior em relação ao processo de especulação imobiliária, atestada pelo dono da “Pão Bom”: “O Imbuí não tem uma renda tão alta, mas seus moradores são tão exigentes quanto os moradores de bairros como Graça e Barra. Isso traz um investimento nessa área, um plano para o atendimento ao cidadão, valoriza o bairro“.
(maio de 2007)

 

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Posted in: ECONOMIA