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	<title>SOTEROPOLITANOS &#187; CIDADE</title>
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		<title>SOTEROPOLITANOS &#187; CIDADE</title>
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		<title>Povo do mar</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Sep 2008 00:43:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[CIDADE]]></category>

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		<description><![CDATA[
por Agnes Mariano
O sol ainda nem se levantou e eles já estão de pé. Os homens, prontos para, novamente, arriscar suas vidas sobre as ondas. As mulheres, para enfiar suas coxas e braços em manguezais úmidos, escuros, movediços. Para quem sobrevive do mar, a vida é um treinamento marcial, onde se aprende diariamente a conviver [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdaorla.wordpress.com&blog=1555225&post=72&subd=soteropolitanosdaorla&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:justify;"><a href="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar15.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-75" src="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar15.jpg?w=400&#038;h=249" alt="" width="400" height="249" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">por <a href="http://agnesmariano.wordpress.com">Agnes Mariano</a></p>
<p style="text-align:justify;">O sol ainda nem se levantou e eles já estão de pé. Os homens, prontos para, novamente, arriscar suas vidas sobre as ondas. As mulheres, para enfiar suas coxas e braços em manguezais úmidos, escuros, movediços. Para quem sobrevive do mar, a vida é um treinamento marcial, onde se aprende diariamente a conviver com a solidão, dominar os medos, entregar-se ao desconhecido, reconhecer a própria insignificância e viver apenas com o essencial. Uma vida dura, cheia de esforços e privações, mas com duas grandes qualidades. A primeira, é a calmaria se instala na alma do praiano, que esquece a pressa, as angústias, fica em paz. A outra vantagem é que, não importa se é dia, noite, se chove, faz sol, se o céu está cinzento ou luminoso: a beleza está sempre lá, presente, enfeitiçando a todos.<span id="more-72"></span></p>
<p style="text-align:justify;">De um lado, o coqueiral, do outro, um mar irrequieto, barulhento, sem fim. De vez em quando, um rio que deságua. É possível percorrer quilômetros sem encontrar vestígios de ocupação humana, vendo apenas areia e espuma, que, de tão brancas, quando se encontram, nos dão a sensação de caminhar sobre nuvens. Para conhecer a fundo o litoral da Bahia, é preciso ter nervos de aço, pois é grande o risco de ficar tão atordoado quanto os primeiros portugueses, de se desesperar com a solidão ou de não resistir à vontade de virar índio e permanecer ali para sempre. A história da ocupação das praias baianas demonstra: não foram poucos os que sucumbiram a esse encanto. Uma história com lances heróicos, cruéis e apaixonados. Uma longa disputa que perdura até hoje, pelo poder ou prazer de viver na beira do mar.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar12.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-76" src="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar12.jpg?w=400&#038;h=281" alt="" width="400" height="281" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Os primeiros litorâneos foram os índios, como os vários povos tupi–guarani que habitam as praias do Brasil há séculos. Eles vieram dos Andes: alguns chegaram pelo sul e foram subindo, outros vieram pelo norte, explica a antropóloga e historiadora Maria Hilda Paraíso, da Universidade Federal da Bahia, especialista em história indígena. A vida na beira do mar era uma delícia: pescaria, coleta, pequenas plantações. Para se locomover, usavam as pirogas, um modelo de canoa escavada em troncos que sobrevive até hoje. A rotina só era quebrada por alguma guerrinha tribal, sempre finalizada com a degustação de um prisioneiro. Uma honra para o vencedor e para quem era comido.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Em 1500, quando apareceram os primeiros visitantes de terras distantes, as coisas começaram a mudar. Nos primeiros anos, Portugal nem notificou a descoberta, pois não estava bem certo se as novas terras não pertenciam à Espanha, conta Paraíso. A calmaria inicial foi quebrada mesmo com a doação das capitanias hereditárias, dando a largada na colonização do Brasil, baseada na escravidão. As praias foram palco então de massacres inomináveis, mas também de tórridas histórias de amor e alguns encontros cordiais. Os índios foram as primeiras vítimas: assistiram a um desembarcar sem fim de estranhos que trouxeram novos costumes, sujeira, doenças, progresso, destruição e violência. Como muitos morreram em batalhas, por causa das doenças ou fugiram, o jeito foi importar novos escravos, que vieram, pelo mar, da África.</p>
<p style="text-align:justify;">Em Salvador, no começo, a praia não era o local mais cobiçado, pois o mar era a estrada, e, como acontece em todas as estradas, em suas margens sempre havia perigo. O maior surpresa que o mar trouxe à cidade foi há exatamente 378 anos. Em 09 de maio de 1624, surgiu no horizonte, ameaçadora, uma armada holandesa com 26 navios. De imediato, não houve como resistir: a cidade foi dominada e a população fugiu para Abrantes, no litoral norte, onde os jesuítas tinham criado uma vila, onde antes havia sido uma aldeia indígena. Depois de um ano de ocupação, entretanto, os holandeses foram expulsos.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-77" src="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar.jpg?w=400&#038;h=276" alt="" width="400" height="276" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">A disputa por um pedacinho de terra no litoral foi assumindo novos feitios, mas ainda estava longe de terminar. A partir do século XIX, muitas praias que eram primordialmente habitadas por pequenas comunidades de pescadores, começam a receber visitantes, pois cresce o hábito do veraneio entre a elite. O que não significa que, anteriormente, a praia não fosse visitada – há notícias de um veraneio de Tomé de Souza em Itaparica e de passeios pela praia de Gregório de Mattos &#8211; a diferença é que ir à praia era como ir ao campo fazer um piquenique: em pequenos grupos e todos vestidos. Com os veraneios, uma grande mudança aconteceu: assim como faziam os índios, começamos a nos despir. Para os índios de verdade, que tinham como último reduto o sul do estado, o século XIX significou o retorno à disputa pela terra. Uma batalha que dura até hoje, envolvendo fazendeiros e pataxós.</p>
<p style="text-align:justify;">Quando o século XX se inicia, as praias baianas já tinham um número razoável de admiradores. Depois dos anos 50, a necessidade de expansão urbana aliada ao desenvolvimento econômico deu início a uma corrida para o mar. Seja morando ou apenas de passagem, ir à praia tornou-se sinônimo de bom gosto, de bom viver. Banhar-se no mar, hábito antes restrito a doentes, tornou-se um ritual para milhares de pessoas. Em Salvador, a ocupação ocorreu nas duas direções: no sul, ela foi desenfreada, fazendo estragos profundos na Península de Itapagipe e chegando ao Subúrbio. No direção norte, atingiu principalmente Pituba e Boca do Rio e, depois, Itapuã. A área que restou ficou sendo terreno de engorda para os especuladores. Nos últimos anos, se descobriu que as praias podiam ter ainda um outro uso: ser o principal atrativo turístico do Estado.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/imga0039.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-79" src="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/imga0039.jpg?w=300&#038;h=224" alt="" width="300" height="224" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Um dos últimos redutos que permaneceu preservado foi a área norte do estado, acima de Salvador, até a divisa com Sergipe. Apesar das indústrias &#8211; como a Tibrás, atual Millennium &#8211; dos esgotos, do lixo, do desmatamento, ainda é possível encontrar por lá locais onde se vive a essência do espírito praiano. Ocupada inicialmente por índios, depois por aldeamentos jesuíticos e vilas &#8211; que sobrevivem da pesca e agricultura -, a partir dos anos 70 foram surgindo os loteamentos e empreendimentos turísticos. Os primeiros 50 quilômetros, até a praia do Forte, começaram a ser explorados mais cedo, com a Estrada do Coco, a aldeia hippie de Arembepe e o Pólo Petroquímico de Camaçari. Os outros 142 quilômetros até a divisa com Sergipe, muita gente só descobriu depois de inaugurada a rodovia Linha Verde, há poucos anos. Além da fartura e beleza, que atrai curiosos do mundo todo, outro aspecto que confere importância estratégica ao local são as suas importantes bacias hidrográficas. Para falar apenas dos grandes rios: Joanes, Jacuípe, Pojuca, Imbassaí, Sauípe, Subaúma, Itariri, Itapicuru.</p>
<p style="text-align:justify;">Um dos mais antigos municípios do litoral norte é o Conde, há 155 quilômetros de Salvador. Antes de ir para as praias, vale conhecer, por exemplo, a Vila do Conde, local do primeiro encontro entre homens brancos e tupinambás, em 1621, quando chegaram os jesuítas. No ponto mais alto fica a igreja e, na sua torre, está Nossa Senhora do Monte, que escolheu ficar ali para não perder o espetáculo. Depois, vale uma visita ao Conde, a sede do município, onde nos sábados acontece a grande feira, reunindo tudo o que foi pescado, plantado e produzido nas redondezas. Das várias histórias da cidade, uma das mais curiosas é a da passagem de Antonio Conselheiro e seus seguidores por lá, em 1887. Como conta Sant´Ana, o grupo parou para rezar na praça e lá foi alvo da zombaria das crianças, que pegaram as sandálias de Conselheiro e atiraram no alto de um grande tamarineiro, conta Francisco Lins Sant´Ana no Jornal Participação, o periódico mensal do Conde. O beato disse então que o rio Itapicuru é que iria resgatar as suas sandálias. Profecia ou praga, a região enfrenta periodicamente enchentes severas. Depois disso, o visitante já pode seguir rumo às praias: Sítio do Conde, voltada para o turismo; Siribinha, uma vila de pescadores ou a exuberante Barra do Itariri, cenário do filme Tieta, de Cacá Diegues.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar17.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-108" src="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar17.jpg?w=256&#038;h=405" alt="" width="256" height="405" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Na ocupação da litoral baiano, de uma ponta a outra, um dos principais desafios atuais é levar o progresso sem a exclusão dos seus habitantes originais e sem destruição ambiental. A opção pelo turismo não tem sido bem sucedida nesse aspecto, gerando apenas subempregos para a comunidade litorânea, lixo e sujeira. Outro risco constante é a privatização de toda a nossa orla, que vem despertando o interesse de grandes grupos econômicos, que compram grande fatias de terras onde implantam projetos voltados para um público de elite, que em nada desenvolvem a região ou utilizam a área para monoculturas, facilitando o desenvolvimento de pragas, inviabilizando a coleta e prejudicando a biodiversidade. Já existem projetos atentos a esses problemas, como o “Vetor Norte”, da Fundação Onda Azul, que busca mobilizar comunidade e poderes públicos para repensar essa ocupação. A outra esperança que resta vem do sol, da areia, do mar, que quando nos toca, faz surgir algo de bom dentro de nós, pois, mesmo que apenas por instantes, quando estamos desnudos na praia, somos todos iguais, sem sobrenomes, contas bancárias, pequenos e livres.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>COMEÇO DA OCUPAÇÃO</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Eles vieram andando, guiados apenas por uma profecia. Atravessaram florestas e rios acreditando que, num lugar além do sol nascente e depois de um grande rio, encontrariam Maíra, o Deus maior, o criador do universo. Não encontraram Maíra, mas descobriram um paraíso feito de sol, areia branca, águas mornas, peixes e frutos em abundância: o litoral do Brasil. Foi assim que, há muitos séculos, os índios tupi-guaranis originários dos Andes começaram a se espalhar pela costa atlântica, conta a historiadora Maria Hilda Paraíso. Antes deles, outros índios já tinham estado aqui, mas foram os tupis que ocuparam toda a costa e que, um dia, assistiram à chegada dos primeiros europeus e, depois, dos africanos. A partir daí, essa estreita e comprida faixa de terra banhada pelo mar se tornou o principal cenário das mais heróicas e cruéis histórias. O mar ficou sendo então, ao mesmo tempo, símbolo de alegria e sortilégios. Um paraíso para uns, um purgatório para outros.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/imga0379.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-82" src="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/imga0379.jpg?w=300&#038;h=224" alt="" width="300" height="224" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Da matriz tupi, no litoral baiano viviam os tupinambás &#8211; do rio São Francisco ao rio de Contas &#8211; e os tupiniquins, na parte sul até o Espírito Santo. Agricultores, eles “plantavam milho, vários tipos de batata, que é originária da América, cará, abacaxi, feijões e mandioca. Também viviam da caça, pesca, mariscos e frutas”, conta a professora. Para erguer suas aldeias, preferiam locais próximos a rios e elevados “para ter visibilidade”, explica a historiadora, que também é antropóloga. A preocupação estratégica não era a à toa, pois esses grupos estavam sempre em guerra: “Viviam fazendo e refazendo suas alianças”.</p>
<p style="text-align:justify;">Tecnologia para a vida no litoral não faltava aos tupis. Para pescar, usavam jereré, arco, flecha, rede angareira e anzol de espinha de peixe. Para transitar pelos rios e mar, tinham as pirogas – canoas escavadas em troncos – além de serem bons nadadores. “Os dois esportes mais populares eram as lutas dentro d´água e a peteca, uma invenção tupi”, lembra Paraíso, para quem o mais importante costume indígena que herdamos foi o hábito de tomar banhos. No mar ou nos rios que deságuam na orla, sempre era possível encontrar um índio nu, bronzeado e forte se deliciando com a água.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar13.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-90" src="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar13.jpg?w=400&#038;h=269" alt="" width="400" height="269" /></a></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Colonos e jesuítas </strong><br />
Em 1500, entretanto, a festa acabou. De imediato, a chegada dos portugueses não mudou muita coisa: em contatos amistosos, os índios ofereciam água, alimentos e ganhavam bugingangas. “Portugal não via o que fazer aqui. Não havia sequer uma autoridade reconhecida que se pudesse subjugar, era uma horda de pessoas andando pra lá e pra cá nus. O Brasil era só um ponto de repouso para as naus que iam para a Índia”, explica Maria Hilda. Em geral, o que interessava aos europeus era levar daqui pau-brasil e produtos exóticos, como aves e índios. Com autorização ou não, alguns portugueses foram se instalando no litoral, construindo alianças com os índios, inclusive através de casamentos, pois vigorava entre eles o “cunhadaço”, a obrigação de dar apoio ao marido da irmã. O mais famoso entre todos esses pioneiros foi Diogo Álvares, o Caramuru, que naufragou no Rio Vermelho em 1510, desposou várias índias, estabeleceu uma povoação no Porto da Barra e tinha uma casa em Tatuapara, atual Praia do Forte, afirma ela.</p>
<p style="text-align:justify;">Se o começo foi ameno, não tardou a surgir a tempestade, quando, em 1534, o litoral brasileiro começou a ser loteado. Eram as capitanias hereditárias, que deflagraram uma nova fase nas relações. Entre os europeus, a postura passou a ser a de dominar, conquistar e escravizar: “As pessoas chegavam para se instalar, desmatar a terra, o que acabava com a coleta, provocava a fuga da caça. Houve uma deterioração violenta no padrão alimentar, a exploração do trabalho, violentação, castigos, novas regras de produção, onde os índios, além de derrubar e queimar a mata, eram obrigados a plantar e colher, o que, entre eles, era trabalho das mulheres. Os prisioneiros eram desviados do ritual de antropofagia &#8211; razão de glória para o vencedor e de dignidade para o vencido &#8211; para o trabalho escravo. Um ultraje”, enumera a historiadora. O édem de Maíra estava com os dias contados.</p>
<p style="text-align:justify;">O golpe de misericórdia veio com os religiosos da Companhia de Jesus, em 1549. Não porque fossem mais cruéis que os colonos portugueses, mas porque centraram seus esforços em alterar as crenças e costumes dos índios litorâneos. Segundo a  historiadora, “a ação jesuítica, voltada principalmente para eliminar a poligamia, a antropofagia, as casas coletivas, a nudez, o paganismo e o nomadismo, funcionava como um aríete, demolindo as instituições fundamentais dos grupos”. Nessa mesma época, foi fundada a primeira cidade brasileira: Salvador. Antes dela, só existiam algumas vilas ao longo da costa, como São Vicente, São Jorge do Ilhéus, Porto Seguro e Olinda.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/imga0359.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-83" src="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/imga0359.jpg?w=300&#038;h=224" alt="" width="300" height="224" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Os conflitos existiram desde o começo, como comprovou o primeiro donatário – Francisco Pereira Coutinho – que se desentendeu com os índios e foi devorado em Itaparica. Na década de 1540, também aconteceram várias revoltas e elas prosseguiram com a chegada dos jesuítas que construíram aldeamentos onde já existiam aldeias, erguendo escolas e igrejas. Em 1556, no governo de Duarte da Costa, houve uma revolta que envolveu aldeias de Itapuã a Paripe, mas todas foram esmagadas. Uma das piores foi a de Ilhéus e Porto Seguro, “envolvendo os tupiniquins, que eram tidos como dóceis. Nessa revolta houve um massacre dos índios conhecido como Batalha dos Nadadores, em que os sobreviventes fugiram nadando, mas foram perseguidos por canoas e mortos”. Para completar, “entre 1560 e 1563, duas grandes epidemias de varíola e sarampo mataram 2/3 dos índios que viviam entre o Espírito Santo e a Paraíba. Eles não tinham anticorpos e não sabiam como se tratar &#8211; entravam no mar com febre alta &#8211; e morriam de fome por não poder caçar e pescar”, descreve ela.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Sobreviventes</strong><br />
E assim, em nossas belas praias, foi morrendo Pindorama e nascendo o Brasil. Mas um Brasil que, sendo mestiço, nunca apagou totalmente os seus índios. Depois de 1560, a mão-de-obra nos engenhos passou cada vez mais a ser africana, a não ser nas capitanias do sul, por falta de recursos: “O primeiro donatário da capitania de Ilhéus faliu, o da capitania de Porto seguro foi preso e o do Espírito Santo foi buscar dinheiro em Portugal e morreu”, conta a historiadora. Se tal situação manteve a escravização de índios, “até 1876 há referência ao comércio de crianças indígenas, os curucas”, ao mesmo tempo preservou o sul do estado como o último refúgio para eles: “Até quase meados do século XIX, a ocupação permaneceu muito restrita ao litoral, não ultrapassava uma légua e meia pra dentro”. Um dos motivos é que, para evitar contrabando do ouro descoberto em Minas Gerais, Portugal proibia a aberturas de estradas ligando o litoral às minas: “Os índios e a floresta serviam como muralhas naturais”.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/imga0401.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-85" src="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/imga0401.jpg?w=300&#038;h=224" alt="" width="300" height="224" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Foi por essas e outras razões que a beleza do litoral sul do estado foi poupada por tanto tempo e que, até hoje, boa parte dos nativos daquela região tem nítida ascendência indígena. Como Miguel Gesy Lopes, de 80 anos, bisneto de uma índia e nascido na paradisíaca Itacaré, no baixo sul, em 1921. Morando há muitas décadas em Salvador, Gesy lembra com nitidez a vida da pequena comunidade de pescadores antes da luz, da água encanada e da estrada. O embarque das sacas de cacau já movimentava a região, mas a maioria da população vivia mesmo ao modo indígena, da pesca: “Os barcos saíam de madrugada para pegar os cações, melro, canapu, vermelho e lá tem o menor peixe do mundo, a manjuba, que de tão pequeno é vendido a litro e pescado em pano de aninhagem. A maioria acordava às 4h. Foi lá que aprendi a gostar de ver o nascer do sol. O povo de Itacaré é muito educado, não é culto, mas é instruído”, define ele, rindo com o seu olhar enigmático de índio tupi.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><br />
SALVADOR</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Monstros, piratas, invasores, sereias, escravos, riqueza e dor. Nos primeiros tempos, qualquer morador de Salvador sabia: o que de melhor e pior pudesse lhes acontecer, viria pelo mar. As grandes transformações sempre começavam na praia, pois aquela imensidão azul e turbulenta era a única estrada conhecida. Deve ter sido por isso que a praia demorou tanto para ser considerada fonte de prazer, local para relaxamento e diversão Quem duvida, precisa só dar uma olhada na cidade vista do mar e contar quantos fortes, com seus canhões voltados para o oceano, foram erguidos para proteger Salvador.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/imga0472.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-87" src="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/imga0472.jpg?w=300&#038;h=224" alt="" width="300" height="224" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Foi na região da Barra, Graça, Vitória e Chame-chame que viveram Caramuru, Catarina Paraguassu e que o primeiro donatário, Francisco Pereira Coutinho, ergueu a Vila do Pereira. Como se sabe, o donatário não teve sorte e acabou sendo devorado por índios. Por isso, quando veio para cá estabelecer o governo geral e fundar a cidade do Salvador, em 1549, Tomé de Souza preferiu uma área mais protegida, elevada e de difícil acesso: a cidade alta, de São Bento ao Carmo. Como explica o arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Marcos Paraguassu, a parte baixa, a praia, que depois se transformou no Comércio, era uma faixa de terra muito estreita, que passou desde aquela época até o século XX, por sucessivos aterros, sendo o último e mais importante deles feito para a construção do porto.</p>
<p style="text-align:justify;">Também em 1549, aproveitando aldeias indígenas, os jesuítas começaram a criar aldeamentos, como conta a historiadora Maria Hilda Paraíso: Vila Velha, na Barra; São João, em Plataforma; do Simão, entre o Campo Grande e a Gamboa; Nossa Senhora do Rio Vermelho, no Morro do Conselho e muitas outras. Nesta última, inclusive, mesmo após uma revolta e fuga dos índios, “os jesuítas não deixaram o local, pois o consideravam aprazível para retiros, férias dos estudantes e repouso dos padres”, conta ela. Era o veraneio dando seus primeiros passos na Bahia.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/imga0438.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-88" src="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/imga0438.jpg?w=300&#038;h=224" alt="" width="300" height="224" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Com o seu passado turbulento, na Barra, foram erguidos não um, mas três fortes (Santa Maria, São Diogo e Santo Antônio da Barra, que também é um farol). Durante bom tempo o local foi também uma espécie de divisor de águas dos dois tipos de ocupação do litoral da cidade: em direção a Itapuã, com pequenas aldeias de pescadores e armações de pesca; a parte antiga, mais habitada, com o centro, a administração e vários engenhos, que se estendiam Recôncavo adentro. De um lado, a natureza dominando, o mar bravio, a solidão. De outro, o homem tentando moldar a natureza às suas necessidades. Primeiro com mão-de-obra indígena e depois africana, foram surgindo os engenhos. Ainda no século XVI, Gabriel Soares construiu um engenho de açúcar com capela, casa grande e senzala na área urbana de Salvador, num local que depois ficou conhecido como Solar do Unhão. Em Itapagipe, Garcia D´Ávila tinha olarias e currais, em Água de Meninos havia um engenho. “No Subúrbio, tinha engenhos em Lobato, Periperi, Paripe”, cita Paraguassu.</p>
<p style="text-align:justify;">“A praia era vista como lugar de marinheiro, prostituta, de se jogar sujeira. Lugar de monstros e tristezas”, explica o sociólogo Gey Espinheira a respeito do Brasil colonial. De fato, a mar trouxe a eles muitas surpresas desagradáveis, como a do dia 8 de março de 1624, quando 26 navios holandeses chegaram à costa baiana, para invadir e dominar. Na madrugada do dia 9, mil homens desembarcaram na praia da Barra e atacaram o Forte de Santo Antônio, enquanto outros navios atacaram o centro da cidade e barcos portugueses. A população fugiu, indo para a aldeia do Espírito Santo, hoje Abrantes, no litoral norte, que se tornou o foco da resistência. Se passaram 12 meses, até que, pela inabilidade dos holandeses em fazer a cidade retomar a vida normal, emboscadas dos brasileiros e reforços de Portugal e Espanha, eles acabaram sendo expulsos. Insistentes, em abril de 1638 eles tentaram novamente. Tendo a bordo o Conde Maurício de Nassau, os holandeses desembarcaram “na enseada da Ribeira, defronte das capelas de São Brás e de Nossa Senhora da Escada”, mas dessa vez não conseguiram sequer entrar na cidade, conta Luis Henrique Dias Tavares, em História da Bahia: bloqueados em Itapagipe e em Santo Antônio Além do Carmo, acabaram desistindo e indo embora.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar5.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-91" src="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar5.jpg?w=400&#038;h=275" alt="" width="400" height="275" /></a><br />
<strong><br />
Banho salgado</strong><br />
Dando um salto no tempo, chegamos ao século XIX, quando as praias baianas viviam uma relativa calmaria. O comércio e transporte ainda dependiam bastante do mar, que vivia salpicado de saveiros indo e vindo; a pesca da baleia, bastante rentável, já tinha vivido seu ápice e estava em declínio e a cidade tinha crescido nas duas direções: na direção do Recôncavo, destacava-se a península de Itapagipe, e no sentido oposto, o bairro do Rio Vermelho. Entretanto, freqüentar a praia ainda não era um hábito muito difundido, a não ser entre os pobres, principalmente os pescadores e familiares, como registrou em 1842 o vice-cônsul britânico na Bahia James Wetherell: “Os pretos, aqui, parecem nadar como se fossem anfíbios: pode ver nas praias grande número de crianças brincando e praticando natação entre eles, durante horas a fio”.</p>
<p style="text-align:justify;">Para a elite, a praia era um lugar para excursões e piqueniques esporádicos e o “banho salgado” era procurado principalmente para tratamentos de saúde, conta o antropólogo Thales de Azevedo, em seu texto “Praia, espaço de socialidade”. Mas, aos poucos, o interesse pelo veraneio foi se espalhando, em parte copiando a Europa, onde era chic passar temporadas em estações de água, montanhas e balneários, em parte sob influência dos novos hábitos trazidos pela corte e família real. Veraneava-se em Itaparica, Rio Vermelho, Itapagipe, no Subúrbio. Aliás, é nessa época que começa a crescer a ocupação na Cidade Baixa, quando, no lugar dos engenhos, proliferam as fábricas, como a de Luis Tarquínio, na Boa Viagem e outras no Subúrbio. “A partir de 1865, com o trem indo para o interior, começa mesmo a ocupação do Subúrbio. Entorno das paradas do trem, surgem bairros”, explica o arquiteto Paraguassu. Se, antes, o contato de boa parte da população com o mar era apenas dando uma olhadinha, de longe, a partir daí, muita gente passou a procurar locais onde, pelo menos nas férias, pudesse chegar perto do mar.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar27.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-92" src="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar27.jpg?w=400&#038;h=265" alt="" width="400" height="265" /></a></p>
<p style="text-align:justify;"><strong> </strong></p>
<p><strong>CORRIDA AO MAR</strong></p>
<p style="text-align:justify;">O visitante chega, mal tira a roupa e sai correndo desesperado para o mar, feito criança. O nativo, tranqüilo, olha a cena, dá risada e resmunga: “Parece que nunca viu água”. Foi a partir dos anos 60 que essa cena começou a se tornar freqüente no litoral baiano. Muita coisa tinha começado a mudar em Salvador e na Bahia a partir da década de 50, iniciando um crescimento urbano e populacional sem freios. Foi aí também que se deu, timidamente, a descoberta do potencial turístico das praias baianas, pois é de 1954 o primeiro Plano Diretor do Turismo no estado. Os baianos foram despertando, então, para o fato de que tinham uma orla. E que orla&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar3.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-93" src="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar3.jpg?w=400&#038;h=271" alt="" width="400" height="271" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">O artista plástico Calasans Neto viu tudo acontecer. Íntimo do mar desde 1939, quando foi morar no Porto da Barra, ele conta como as coisas funcionavam até os anos 50: “Só os jovens iam à praia, que só eram freqüentadas durante a manhã, apenas pro banho de mar. Depois do meio dia, ficavam vazias. Entre a geração mais antiga, não existia o culto ao bronzeamento, achavam que o sol fazia mal. Tinha também aqueles que tiravam do mar o seu sustento, eram os trabalhadores do mar. Na sexta, o Porto da Barra se enchia de saveiros vindo do Recôncavo com produtos pra feira de sábado. Até os anos 50, só íamos até Amaralina. Daí em diante era pra veraneio”, conta ele. Calasans lembra ainda dos compridos maiôs “catalina”, considerados ousados e do cheiro do “dargeli”, o primeiro bronzeador. Além da Barra, suas paixões de garoto e adolescente eram o banho de mar no Unhão, “saltar de um guindaste que tinha na ponta”, os longos veraneios na Pituba e da vontade de rever Itapuã: “Foi na década de 40, num piquenique, que fui lá pela primeira vez. Fiquei deslumbrado, era tudo coqueiral”.</p>
<p style="text-align:justify;">Na década de 60, a corrida começou. Áreas antes desertas começaram a ser loteadas ou invadidas. Pacatas comunidades de pescadores assistiam dia a dia à chegada de curiosos que vinham de passagem ou para ficar. O êxodo rural inundou Salvador de novos moradores que passam a se alojar em locais como o Subúrbio, Península do Joanes e de Itapagipe, regiões que passam por grandes transformações, sobretudo por conta de sucessivos e desastrosos aterros, explica o arquiteto Marcus Paraguassu. Além da ocupação humana, sempre acompanhada de lixo e esgoto, outro fator que abalou a região foram as indústrias: Chadler, Souza Cruz, fábricas de sapato, óleo, tecido, produtos químicos. Além do Centro Industrial de Aratu e da refinaria da Petrobras, que iam deixando marcas da sua presença na Baía de Todos os Santos, o desastre completo para a Cidade Baixa veio com a Companhia Química do Recôncavo (CQR), que sofreu um acidente na década de 70 e contaminou com mercúrio a Enseada dos Tainheiros, relembra o sociólogo Gey Espinheira.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar4.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-94" src="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar4.jpg?w=364&#038;h=254" alt="" width="364" height="254" /></a></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Rumo ao norte</strong><br />
Quem podia, é claro, começou a migrar rumo ao norte. Surgem os primeiros prédios na Pituba, invasões e loteamentos na Boca do Rio e quem tinha espírito aventureiro podia ir até Itapuã, pois Otávio Mangabeira já tinha feito a avenida que leva seu nome. Um desses novos ocupantes foi Calasans Neto que, nos anos 70, desconfortável com o que ele chama de “sufocamento urbano”, resolveu seguir o conselho da avó: “Ela dizia que você só deve morar perto de padaria, que é a concepção dela de fim de linha”. Ele então escolheu o fim de linha de Salvador: Itapuã. Ele e muita gente. Em Jaguaribe, três cooperativas de profissionais liberais conseguiram financiamento público e erguerem os primeiros condomínios. Com a construção do Pólo Petroquímico de Camaçari, também nos anos 70, surgem a Estrada do Coco e Villas do Atlântico: “Foi um dos bairros que surgiu para acomodar a classe média alta do Pólo, assim como o Itaigara e o Caminho das Árvores”, explica Gey Espinheira. Tudo isso, mais a profissionalização do turismo com apoio do governo, passaram a dirigir todos as atenções, disputas e investimentos públicos e privados para a orla norte.</p>
<p style="text-align:justify;">“A orla foi historicamente base para a especulação de terras. Eram fazendas. Quase tudo era de Edmundo Visco, que mandava os homens dele num burro ir pegando o dinheiro de cada morador. A ocupação e valorização foi um processo cíclico, que começou com a construção da avenida, asfaltamento, iluminação, duplicação da avenida, implantação do Parque da Orla, Centro de Convenções. Um conjunto de investimentos públicos, mas ela continuou e continua na mão dos especuladores de terra”, explicam os arquitetos Marcos Paraguassu e Paulo Rocha, presidente do Instituto dos Arquitetos da Brasil/Bahia (IAB).</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar14.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-101" src="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar14.jpg?w=400&#038;h=247" alt="" width="400" height="247" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Foi aí também que muita gente começou a explorar e conhecer as praias acima da capital, de Camaçari até a divisa com Sergipe. Lá, a história não foi diferente da de Salvador: índios e depois aldeamentos jesuíticos, em locais como Bom Jesus de Tatuapara (Praia do Forte), Santo Antonio de Rembé (Arembepe) e Espírito Santo (Abrantes). Chegaram colonos, aconteceram muitos conflitos &#8211; “os índios foram destruídos principalmente por Garcia D´Ávila”, conta Espinheira – e assim foram surgindo os povoados e cidades, habitados por um povo mestiço, meio índio, negro e branco, sobrevivendo do gado, cana, pequenas roças de subsistência, fazendas de coco, piaçava e pesca. As coisas se mantiveram sem grandes mudanças até a segunda metade do século XX, quando o crescimento da capital, o Pólo Petroquímico de Camaçari e o fluxo turístico provocaram transformações nas áreas próximas: “Houve uma certa mudança de mentalidade, ninguém mais queria trabalho rural, muitos passaram a ser caminhoneiros, se tornaram caseiros, lavadeiras ou cozinheiras para veranistas. As pessoas passaram a ter outras expectativas, mas não têm como realizá-las”, diz Espinheira.</p>
<p style="text-align:justify;">Loteamentos de luxo ao lado de uma população pobre, privatização das praias, poluição industrial e doméstica, conglomerados turísticos que excluem a população nativa, falta de infra-estrutura para atender tanta gente: os problemas são incontáveis, mas a ocupação do litoral norte é um caminho sem volta. O desafio agora é gerir essa ocupação: “Verificamos três modelos, a ocupação concentrada, em Lauro de Freitas, a menos concentrada, em Camaçari e a dispersa, de Praia do Forte a Mangue Seco. Nos próximos 20 anos é provável que um milhão de pessoas estejam morando nessa área. Desde 2000 estamos estudando essas questões, produzimos um diagnóstico e uma proposta, que é a criação de um consórcio estabelecendo uma parceria entre todas as prefeituras do litoral norte para a implementação de ações que mobilizem a sociedade para repensar essa ocupação, encontrar novas atividades produtivas, criar planos de adequação turística e educação ambiental”, conta o sociólogo Gey Espinheira, que integra a equipe do Projeto Vetor Norte, da Fundação Onda Azul, uma parceira entre Ministério do Meio ambiente, governo da Bahia e prefeituras dos municípios do litoral norte, firmada em 16 de abril de 2002.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar18.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-102" src="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar18.jpg?w=300&#038;h=465" alt="" width="300" height="465" /></a><br />
<strong><br />
PARAÍSOS DO NORTE</strong></p>
<p style="text-align:justify;">A beleza é um dom maravilhoso, que alegra a alma, atrai, inspira, mas também pode ser um fardo, quando faz surgir desejos desesperadas, violentas, que levam à destruição. Esse é o drama das lindas praias baianas: amadas por uns e cobiçadas por outros. Para entender o que o litoral baiano já foi e deixou de ser e para buscar inspiração para o futuro, nada melhor do que explorar locais que ainda mantém o espírito praiano. Um bom exemplo é o município do Conde, que fica há 155 quilômetros de Salvador. Lá, é possível distinguir vários tipos de ocupação: alguns vivem do turismo, outros da pesca ou plantações; há cabanas de palha, casas modestas e condomínios luxuosos. A relação entre os nativos e os novos ocupantes é sempre complexa, pois o progresso, quando chega, é excludente, não beneficia a todos.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois do Conde, é só seguir rumo às praias. A primeira é a de Sítio do Conde, a que possui maior infra-estrutura turística e de onde se chega a Poças e Siribinha, à esquerda, ou a Barra do Itariri, à direita. Em Siribinha, o que mais impressiona é o povo e sua paixão sem limites pela terra onde vive. Em Barra do Itariri, quem nos emudece é a natureza, que não economiza em cores, cheiros e força, que nos faz sentir, com todos os poros, o prazer de estar vivo. Em Siribinha, tudo gira em torno do rio Itapicuru, que deságua lá. Homens, mulheres e crianças passam os dias pescando. Em Itariri, muitos nativos venderam os lotes na beira da praia para os veranistas e recuaram. Mas reservaram um local privilegiado pelo menos para a hora do descanso eterno: o topo de uma colina onde se vê mar, rio e um coqueiral infinito. Exatamente como deve ser no paraíso.</p>
<p><a href="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar19.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-104" src="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar19.jpg?w=400&#038;h=253" alt="" width="400" height="253" /></a></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Siribinha</strong><br />
O acesso difícil poupou Siribinha. Como conta o pescador aposentado Natanael Santos, de 65 anos, mais conhecido como Sinhozinho, poucas famílias moravam ali, sobrevivendo da pesca no rio, no mar e do coco, sempre abundante. Para ir até a cidade do Conde, só havia um jeito: remar durante horas rio acima. Um percurso tão lento e difícil que muita gestante que tentou alcançar o posto de saúde, acabou parindo dentro da canoa, conta Dona Orita de Jesus, 66 anos, esposa de Sinhozinho. As paredes das casas eram de lama dura; o teto, de palha, e os colchões, de capim que dá na praia. Nos últimos anos, as coisas foram mudando: foi aberta a linda estrada, que ora margeia a orla e ora invade o coqueiral. Veio a luz, o transporte, as casas foram sendo reformadas. Em março de 2002 chegou a água encanada.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar9.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-100" src="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar9.jpg?w=400&#038;h=272" alt="" width="400" height="272" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Até hoje são basicamente duas fileiras de casas: quem está à esquerda, vive de costas para o rio e quem mora à direita, tem o mar como quintal, como Sr. Paizinho, de 72 anos e Maria Creuza Caldeira, de 44 anos. Eles são de um tempo em que a praia era sinônimo de histórias de assombração, que aconteciam sempre à noite, onde bolas de fogo e luzes estranhas fizeram muita gente correr. Hoje, os mais jovens tiram de letra: se aventuram nas ondas, alguns até surfam, e fazem da praia o recanto oficial dos namoros que, garante Creuza, no seu tempo, era mesmo na porta de casa. Capaz de levar qualquer mortal ao céu com as suas moquecas regadas a molho de camarão, Creuza é conhecida como a melhor quituteira da região. Aliás, para quem não sabe, a famosa quituteira Dadá também nasceu e foi criada no município do Conde. Assim como muitos outros moradores de Siribinha, Creuza teve o seu período de viagens: “Com 20 anos fui aventurar a vida no Rio de Janeiro. Lá, trabalhei como garçonete e aprendi muito do que eu sei”, conta ela, que também morou em Salvador e quando achou que devia, voltou com marido e filhos para Siribinha, onde montaram um pequeno restaurante. Jonas Otaviano de Melo, 70 anos, pescador aposentado, daqueles que entrava no mar de jangada “e ia até onde a coragem deixava”, também viveu história similar: “Conheci Salvador, Aracaju, Rio de Janeiro e São Paulo, mas nunca achei lugar igual ao meu aqui”, diz ele.</p>
<p style="text-align:justify;">E para manter o seu paraíso à salvo – lá ainda se dorme de portas abertas – o povo de Siribinha teve que enfrentar outros desafios. Há anos atrás, um fazendeiro da área, Alcides Andrade, apareceu dizendo que tinha arrendado tudo ali, passou a dar ordens e cobrar dinheiro dos moradores. A história se arrastou por anos. Um dia, desconfiado, Sinhozinho disse que não ia pagar. Foi ameaçado por capangas armados, mas não se intimidou, até que “um cumpadre meu descobriu que ele só tinha direito a mil metros. O terreno aqui é da Marinha. Aí o povo se revoltou e ninguém mais pagou”, conta ele. Muita gente viaja, dizem alguns que 80% já foi em São Paulo. Vão em busca de estudo e recursos para melhorar de vida, mas acabam voltando. O motivo, o jovem Néviton Caldeira, de 24 anos explica: “Amo isso aqui, é um verdadeiro paraíso, não tem malandragem, não tem maldade”.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar26.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-99" src="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar26.jpg?w=400&#038;h=250" alt="" width="400" height="250" /></a></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Verde e azul</strong><br />
O município do Conde já foi o maior produtor brasileiro de coco seco. A concorrência aumentou, o preço caiu, veio a crise. Hoje ainda é o maior da Bahia, explica a secretária de Cultura do município, Celene de Castro. Indo para Barra do Itariri, tudo evoca esse fato: para onde quer que se olhe, o que não tem o azul do mar, é verde. As notícias mais remotas falam de Itariri como uma grande fazenda de coco, “da família Gomes”, conta Laécio dos Santos, de 45 anos, presidente da Associação dos Pescadores. Há cerca de 35 anos, os Gomes começaram a lotear e vender a área, vieram os primeiros turistas e as terras foram mudando de dono: “Passaram para as empresas Torras Brasil, Operflora, depois Copener e Ferbase. De Baixio a Conde, os donos são todos de fora”, explica ele. Mas o povo também começou a se movimentar e, com o apoio da igreja católica, surgiram alguns assentamentos de sem terra.</p>
<p style="text-align:justify;">Mais pobre em vida do que o vizinho Itapicuru, o rio Itariri sempre empurrou os pescadores para o oceano. O rio ficava sendo o porto seguro. Tão seguro que recebia também pescadores de outros estados que, aproveitando a ausência de controle, aparecem por lá mesmo em época de defeso. “Mas agora não estamos à toa, temos a associação. Caso apareçam aqui, a gente pode chamar o CRA, a Conder”, diz Laécio. Para quem vive da pesca, a grande questão é reabrir a barra, o ponto onde o rio e o mar se encontram que, de um dia para o outro, ficou muito estreita, quase impedindo o trânsito dos barcos: “Foi uma mudança inesperada, feita pela natureza, agora estamos vendo se o prefeito nos ajuda a resolver isso”, diz Laécio.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar23.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-97" src="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar23.jpg?w=273&#038;h=416" alt="" width="273" height="416" /></a><br />
<strong><br />
Incógnitas </strong><br />
Uma das grandes incógnitas em Itariri e em todo o litoral baiano é o turismo. Uma forma de ocupação que, em geral, apenas suga, exaure, extrai e, quando não resta mais nada, abandona. Sem preparo e capital, para os nativos, não há muitas opções além de ser garçom, faxineiro ou camareira. “Me chamaram pra trabalhar na pousada das 7h da manhã às 10h da noite ganhando um salário mínimo. Não fui, era escravidão”, conta um jovem da região. O modelo dos resorts é ainda pior, pois nem a água de coco do lugar é aproveitada. Tudo, absolutamente tudo vem de fora. Só o que fica mesmo é o lixo e esgoto, despejado onde antes só havia beleza. Mas há outros problemas, como a devastação de grandes áreas para o cultivo e a ação dos especuladores de terra. Os primeiros atingidos, é claro, são os moradores, como tem acontecido em Massarandupió, onde os moradores antigos estão sendo coagidos a deixar o local por seguranças contratados pelos novos “donos” da praia – empresários portugueses e brasileiros &#8211; que compraram cerca de dois mil hectares por uma bagatela. A desculpa para a privatização do espaço público pode até ser a preservação, como em várias praias elegantes da estrada do Coco, onde o acesso não é permitido a todos.</p>
<p style="text-align:justify;">E assim, de uma ponta a outra do litoral da Bahia, prossegue a louca corrida por um lugar ao sol, envolvendo baianos, brasileiros e estrangeiros. Nesse percurso, muita coisa boa e ruim vai acontecendo: lugares isolados vão tendo a chance de prosperar, tornando a vida de seus habitantes menos sofrida, mas a ocupação intensa e desordenada traz consigo também a poluição, a destruição dos ecossistemas, o comprometimento dos recursos hídricos e abre espaço para a privatização da orla, onde quem tem maior poder econômico ocupa tudo e veda o acesso alheio. É por isso que, para muita gente que veio da beira do mar, hoje, a única opção é ter o mar dentro de si.</p>
<p style="text-align:justify;">(2002)</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar21.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-96" src="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2008/09/mar21.jpg?w=400&#038;h=252" alt="" width="400" height="252" /></a></p>
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		<title>Um olhar sobre a Praia dos Artistas</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Nov 2007 11:49:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fagnerabreu</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
por Washington Fagner
A Bahia possui o maior litoral do Brasil. São inúmeras praias, a princípio sem distinção de classe e gênero, mas, com o passar do tempo e crescimento da cidade, elas começaram a se direcionar a um determinado público. Em Salvador, integrantes do movimento hippie, gays, lésbicas e simpatizantes (GLS), punks, dentre outros, começaram [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdaorla.wordpress.com&blog=1555225&post=62&subd=soteropolitanosdaorla&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="justify"><img src="http://soteropolitanosdaorla.files.wordpress.com/2007/12/praia_fagner1.jpg" alt="praia_fagner1.jpg" /></p>
<p align="justify">por Washington Fagner</p>
<p align="justify">A Bahia possui o maior litoral do Brasil. São inúmeras praias, a princípio sem distinção de classe e gênero, mas, com o passar do tempo e crescimento da cidade, elas começaram a se direcionar a um determinado público. Em Salvador, integrantes do movimento hippie, gays, lésbicas e simpatizantes (GLS), punks, dentre outros, começaram a adotar as praias como lugar de reunião, bate-papo e para se fazer boas amizades. A Praia dos Artistas está inserida nesse contexto. Localizada na capital baiana, a praia começou a se destacar pela freqüência de artistas nos anos 70 e atualmente foi adotada pelo público GLS. <span id="more-62"></span></p>
<p align="justify">Situada em um local privilegiado no bairro da Boca do Rio, a praia também propicia a prática de esportes contando com quadras de futebol, basquetebol, voleibol e tênis. Para as pessoas que gostam de fazer caminhada, correr, patinar e andar de bicicleta a praia conta com uma ciclovia e pista para pedestres. O local também tem barracas de revistas e de água coco em toda sua extensão, para que os freqüentadores possam se refrescar depois de um dia de sol, sem contar com estacionamento para veículos.</p>
<p align="justify">Ao chegar à praia, o visitante depara-se com três enormes bandeiras do movimento GLS. Algumas estátuas da cultura africana ornamentam a entrada. As grandes dunas estimulam a curiosidade dos visitantes, pois ali atrás se encontra uma bela praia de ondas grandes que atraem surfistas. Pela posição privilegiada, o público GLS escolheu a Praia dos Artistas como point. Ao todo, a praia engloba quatro barracas: Aruba, República, Bahamas e a Sky Blue, a mais antiga.</p>
<p align="justify">Foi nos anos 70 que a praia se consolidou como o local de liberdade do corpo. Porém, o Golpe de 64 dificultou este tipo de expressão de identidade cultural. Segundo o jornalista aposentado do Jornal A Tarde, Álvaro Dias, 78 anos, morador do bairro da Pituba, na época da ditadura só restavam duas possibilidades: buscar essa liberdade na estrutura macro social ou entrar na luta armada. O fenômeno Praia dos Artistas e a sua vocação para unir artistas, integrantes do movimento Hippie e outras tribos, passou a ter seu desenvolvimento acelerado com o aparecimento do movimento da contracultura que a ditadura queria sufocar.</p>
<p align="justify">O proprietário da barraca mais antiga da praia é Aloísio de Souza Almeida, 58 anos, mais conhecido como Aloísio Sky. Ele é a pessoa mais lembrada e citada por quem já passou por lá. A sua barraca, a Yellow Sky, foi o motivo do seu apelido. Deitado em uma rede na varanda de sua casa, seu local preferido para relaxar, Aloísio contou como foi o processo de desenvolvimento da Praia nas décadas de 70 e 80.</p>
<p align="justify">Aloísio é o primeiro barraqueiro da Praia dos Artistas e se diz parte da história daquela praia. Uma enciclopédia viva sobre o processo de desenvolvimento do ambiente. Está lá há 28 anos. “Era aqui onde todos costumavam se reunir. Dos vizinhos da Rua Orlando Moscozo,  a gente como os irmãos Zizi e José Possi Neto, até estrelas da Rede Globo e muitos outros que vinham curtir o verão de Salvador”, diz Aloísio.</p>
<p align="justify">Caboclo de olhos verdes, Aloísio é natural de Conceição do Almeida. Chegou a Salvador em 1973. Da sua terra só trouxe um acessório que se tornaria a sua marca: o chapéu. O indispensável chapéu de abas largas, tipo sombreiro, com um pano amarrado e uma calça branca são a indumentária de Aloísio há uns bons pares de ano.</p>
<p align="justify">A sua barraca era de palha e funcionava somente nos finais de semana. Mas foi em 1976 – ano em que começou estourar a fama – quando trocou a tábua por um tipo de lona amarela que a barraca passou a se chamar Yellow Sky. Um buraco na lona que permitia avistar o céu levou um dos antigos clientes, Rowney Scott (na época representante da Radio Pan AM), hoje com 72 anos, a batizar o espaço com o nome Blue Sky Beach House.</p>
<p align="justify">“Fui um dos primeiros a chegar por lá. Na verdade fui eu mesmo que coloquei o nome na barraca. Freqüentei essa barraca por um período de mais de 20 anos”, diz seu Rooney, recordando que quase separou da mulher, pois em uma de suas férias ele saía normalmente às 6h da manhã e ficava na barraca até 1h da madrugada.</p>
<p align="justify">Para conquistar os clientes, a Yellow Sky apresentava um cardápio variado e exótico, como peixadas e dúzias de lambretas servidas à beira-mar, assim como o caruru servido na palha. Aloísio lembra muito bem dos principais clientes. Sobre as vestimentas dos clientes, ele frisa a maneira absolutamente espontânea como as garotas amarravam seus lenços para dar formas ao biquíni, deixando a parte de cima livre, e da tanga de crochê ou chita estampada que Caetano Veloso costumava usar.</p>
<p align="justify"><strong>Point GLS</strong><br />
De 1976 até os primeiros anos da década de 80, a barraca de Aloísio viveu a fase alta, como ele diz. Mas os clientes que antes freqüentavam o cenário paradisíaco estavam começando a freqüentar praias mais distantes. Assim outros clientes, mais precisamente o público GLS, começou a freqüentar o ambiente, e descobriram a sua maneira os encantos e a magia que praia proporcionava.</p>
<p align="justify">Hoje, a Praia dos Artistas tem quatro barracas, com atendimento diversificado e uma música que varia de MPB à música eletrônica. As sextas, sábados e domingos a praia é agitada com a presença do DJ Johnny, que toca na Barraca República. “É um prazer tocar aos domingos para esse público ainda tão marginalizado e discriminado por uma sociedade hipócrita”.</p>
<p align="justify">O publico GLS viu na Praia dos Artistas, mais especialmente na Barraca de Aloísio, a melhor maneira de se sentirem a vontade, já que Salvador conta com poucos ambientes voltados para esse público. Com isso a Praia dos Artistas, que antes era uma praia freqüentada por artistas, por várias tribos culturais distintas, hoje é uma praia essencialmente direcionada aos gays e simpatizantes. “Aqui nós podemos ter a liberdade de expressão, de comportamento que a sociedade tanto nos restringe. Sou gay e quero ter os mesmos direitos que os heteros têm diante dos ambientes públicos”, diz Adriano Carvalho, designer.  </p>
<p align="justify">(outubro de 2007) <br />
 </p>
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		<title>Fazendo a diferença</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Jun 2007 01:53:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[por Milena Quize
Surge o boato de que Maria José da Silva Machado, responsável pela Associação Clube de Mães União da Boca do Rio, agora tomaria conta de várias crianças. A partir daí, todos os dias, mães passaram a levar seus filhos até a porta da casa dos Machado. Seguindo o conselho de seu marido, o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdaorla.wordpress.com&blog=1555225&post=60&subd=soteropolitanosdaorla&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="justify"><img border="0" src="http://bp2.blogger.com/_973wIKk3WZc/RoMVTvzriHI/AAAAAAAAAvo/vX_avC_Rknw/s320/aaaaaa.jpg" style="float:left;cursor:hand;margin:0 10px 10px 0;" />por Milena Quize</p>
<p align="justify">Surge o boato de que Maria José da Silva Machado, responsável pela Associação Clube de Mães União da Boca do Rio, agora tomaria conta de várias crianças. A partir daí, todos os dias, mães passaram a levar seus filhos até a porta da casa dos Machado. Seguindo o conselho de seu marido, o jornalista, compositor e poeta Béu Machado, Dona Maria José resolveu transformar a parte de baixo de sua casa, antes utilizada apenas para o recebimento e distribuição dos tickets de leite do governo Sarney, em creche-escola, batizando-a com o mesmo nome da associação. Assim começa a história de luta e persistência de Dona Maria José em prol dos alunos de sua instituição, hoje conhecida como Creche Béu Machado.<span class="fullpost"></span><span class="fullpost"> </span><span class="fullpost"><span id="more-60"></span> Como jornalista, Béu Machado fazia seu papel, ajudando sua esposa em sua empreitada. Divulgava em sua coluna no jornal A TARDE as necessidades e feitos da creche<a href="http://bp2.blogger.com/_973wIKk3WZc/RoMWqvzriNI/AAAAAAAAAwY/cJE2Tmkioc8/s1600-h/e.jpg"><img border="0" src="http://bp2.blogger.com/_973wIKk3WZc/RoMWqvzriNI/AAAAAAAAAwY/cJE2Tmkioc8/s200/e.jpg" style="float:right;cursor:hand;margin:0 0 10px 10px;" /></a>. Também se utilizava do prestígio que tinha junto a vários artistas baianos para conse<a href="http://bp1.blogger.com/_973wIKk3WZc/RoMVefzriII/AAAAAAAAAvw/LcWAScAwL3Q/s1600-h/e.jpg"></a>guir ajuda financeira e apoio moral. Mas, em 19 de agosto de 1992, as coisas começaram a ficar ainda mais difíceis. Béu Machado faleceu. Parceira de Dona Maria José desde o início desta caminhada, que já dura quase 21 anos, Roselene Sousa Bastos conta que a instituição “ficou desamparada”, já que havia perdido seu maior incentivador. Depois de um tempo, a ajuda começou a chegar. “A fonoaudióloga Lia Mara fez a campanha ‘Meninos de Béu na Terra Precisam de Ajuda’, muito divulgada nos jornais e na televisão. Foi aí que a creche passou a se chamar Béu Machado e as coisas melhoraram”. Os recursos que serviram para construção da atual sede, localizada na inclinada Rua do Caxundé, foram cedidos pelo governo de Antônio Carlos Magalhães, por meio de outra campanha. Volta e meia, artistas como Durval Lélis e Ivete Sangalo socorrem a creche nas horas de aperto. Daniela Mercury é contribuinte constante.</span></p>
<p><span class="fullpost"></span><span class="fullpost"></span><span class="fullpost"></span><span class="fullpost"></p>
<p align="justify"><a href="http://bp3.blogger.com/_973wIKk3WZc/RoMVu_zriJI/AAAAAAAAAv4/nsCqZ9kfpSI/s1600-h/yy.jpg"><img border="0" src="http://bp3.blogger.com/_973wIKk3WZc/RoMVu_zriJI/AAAAAAAAAv4/nsCqZ9kfpSI/s320/yy.jpg" style="float:left;cursor:hand;margin:0 10px 10px 0;" /></a>Com instalações simples, porém muito aconchegantes e higienizadas, das 7h às 17h a creche acolhe 210 crianças, que têm entre 1 e 7 anos de idade. Elas recebem quatro refeições diárias, fazem atividades escolares e recreativas e recebem atendimento médico.</p>
<p align="justify">Depois de alfabetizados, os pequenos perdem o direito de freqüentar a Béu Machado. A creche-escola não oferece nenhum tipo de acompanhamento posterior. O destino da educação deles fica a critério de seus pais, em maioria, moradores do bairro da Boca do Rio, que não têm queixas quanto ao trabalho realizado com seus filhos.</p>
<p align="justify"><strong>Atingindo mais vidas</strong><br />
Paralelamente aos trabalhos realizados com crianças, a Creche Béu Machado sempre buscou desenvolver projetos que visam também adolescentes e idosos. As ações voltadas para adolescentes, como o “Boa Noite Cinderela” – meninas se reuniam para dançar e falar sobre os<a href="http://bp1.blogger.com/_973wIKk3WZc/RoMV9fzriKI/AAAAAAAAAwA/ot4eIJL3lX4/s1600-h/er.jpg"><img border="0" src="http://bp1.blogger.com/_973wIKk3WZc/RoMV9fzriKI/AAAAAAAAAwA/ot4eIJL3lX4/s200/er.jpg" style="float:right;cursor:hand;margin:0 0 10px 10px;" /></a> assuntos que desejassem, algumas vezes assistiam à palestras – e o “Menino Desce Daí” – aulas de capoeira para meninos – chegaram a se concretizar, mas não vingaram, ora pela perda do interesse dos participantes, ora pela falta de dinheiro para prosseguir. Atualmente, senhoras a partir de 65 anos contam com o “Não Chore Não, Vovó”, para se encontrarem quinzenalmente e aprender artesanato. “Uma vez por mês, mais ou menos, ganham cesta básica”, diz Roselene. Já o “Bazar” reúne roupas, utensílios e móveis doados, que são postos à venda para a comunidade, afim de conseguir qualquer ajuda adicional para as despesas.</p>
<p align="justify"><strong><a href="http://bp2.blogger.com/_973wIKk3WZc/RoMWKvzriLI/AAAAAAAAAwI/nFog-7pNnMQ/s1600-h/ee.jpg"><img border="0" src="http://bp2.blogger.com/_973wIKk3WZc/RoMWKvzriLI/AAAAAAAAAwI/nFog-7pNnMQ/s200/ee.jpg" style="float:left;cursor:hand;margin:0 10px 10px 0;" /></a>Quase sem querer</strong><br />
Conseguir falar com Dona Maria José não é fácil. Ela está sempre muito ocupada. Então, a possibilidade surgiu por obra do acaso. Desavisada da realização de uma entrevista naquela hora, ela entrou na secretaria para dar instruções às suas funcionárias. E esse momento foi aproveitado. A dificuldade na captação de recursos é reconhecida pela viúva de Béu Machado como a principal causadora dos seus momentos de desespero, momentos que a fizeram pensar em desistir. “Na hora do nervoso, a gente fala as coisas meio sem pensar, da boca para fora. Mas eu nunca vou abandonar meu trabalho. Eu amo o que faço, amo as minhas crias”.<br />
(maio de 2007)<a href="http://bp2.blogger.com/_973wIKk3WZc/RoMWdvzriMI/AAAAAAAAAwQ/PtXEyVXFsLg/s1600-h/yyy.jpg"><img border="0" src="http://bp2.blogger.com/_973wIKk3WZc/RoMWdvzriMI/AAAAAAAAAwQ/PtXEyVXFsLg/s320/yyy.jpg" style="float:left;cursor:hand;margin:0 10px 10px 0;" /></a></p>
<p></span></p>
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		<title>Cristo da Barra</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Jun 2007 02:54:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[CIDADE]]></category>

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		<description><![CDATA[por Lízia Sena
Desconhecido por muitos, apreciado por poucos. Alguns nem sabem que existe. Os que passam de carro, ônibus ou até mesmo andando desprezam um dos locais mais belos da cidade. Vários já viram, e, talvez tenham até contemplado a estátua de um homem jovem a céu aberto reparando as modificações da cidade, mas poucos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdaorla.wordpress.com&blog=1555225&post=52&subd=soteropolitanosdaorla&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="justify"><a href="http://bp1.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmoXSSDEDvI/AAAAAAAAAmM/nO91jAJ05yk/s1600-h/ochristodabarra.jpg"><img border="0" src="http://bp1.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmoXSSDEDvI/AAAAAAAAAmM/nO91jAJ05yk/s400/ochristodabarra.jpg" style="float:right;cursor:hand;margin:0 0 10px 10px;" /></a>por Lízia Sena</p>
<p>Desconhecido por muitos, apreciado por poucos. Alguns nem sabem que existe. Os que passam de carro, ônibus ou até mesmo andando desprezam um dos locais mais belos da cidade. Vários já viram, e, talvez tenham até contemplado a estátua de um homem jovem a céu aberto reparando as modificações da cidade, mas poucos se aproximam. Quem chegar mais de perto poderá observar um olhar de satisfação pela construção da natureza, sua criação. Não estou falando do Cristo do Rio de Janeiro e sim o de Salvador, o cristo da Barra. Um jovem de branco em pé com o braço direito estendido e o esquerdo para baixo tocando suas vestes.<span class="fullpost"></span><span class="fullpost"> </span><span class="fullpost"><span id="more-52"></span> Em sinal de pregação, parece alertar a população. Representando para muitos a paz, evangelho, amor, benção e defesa invencível, guarda a cidade ao lado do forte da Barra com instrumentos de guerra não mais utilizados. Antes vindos por mar, os inimigos se deparavam com o forte. Agora, transportados de avião, carro ou a pé, surgem de todos os lugares para roubar, matar e sumir. Que o Cristo nos guarde, porque o forte já não tem mais condição de proteger a cidade da violência vinda de todas as direções.</span><span class="fullpost"> </span><span class="fullpost"></p>
<p align="justify">O morro do Cristo é visitado por pessoas de todas as idades, mas principalmente por jovens pensativos e apaixonados, em momentos de tristeza profunda, alegria exacerbada ou extrema confusão: “Sempre venho aqui quando estou estressado. Olho para o mar e o estresse vai embora. Daqui dá para ver a Barra toda. Em nenhum outro lugar você tem esta oportunidade de visão”, diz o autônomo Adilson Roberto, 26.</p>
<p align="justify"><a href="http://bp1.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmoXhSDEDwI/AAAAAAAAAmU/BnKi0W3atjI/s1600-h/CRISTO.bmp"><img border="0" src="http://bp1.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmoXhSDEDwI/AAAAAAAAAmU/BnKi0W3atjI/s320/CRISTO.bmp" style="float:left;cursor:hand;margin:0 10px 10px 0;" /></a>Há também trabalhadores que aproveitam o intervalo do lanche para passar alguns minutos perto da estátua e da paisagem, assim como muitos casais apaixonados: “A natureza nos atrai, a paisagem, o visual e o Cristo ajuda”, afirma o técnico em informática Denílson Nunes, 28, ao levar sua namorada Sueli Freire pela primeira vez ao local. Mas o romance nem sempre é contínuo. Casais como os estudantes Fabiana Sena e Bruno Oliveira geralmente visitam o morro para discutir a relação. No entanto todos com a visão de um local incomparável: “Eu sempre me emociono muito quando venho aqui e sempre trago pessoas para conhecer”, diz Márcia Geanbastiani, 42 anos.</p>
<p align="justify">Há também franceses, cariocas, dentre muitos outros turistas que passam para conhecer: “Gostei muito. Nunca fui ao Cristo do Rio de Janeiro, geralmente os cariocas não vão”, diz a estudante carioca Cíntia Loiu ao visitar o Cristo da Barra pela primeira vez. Apesar de receptivo, com os dois braços abertos abençoando a cidade, poucos são os que chegam perto da estátua do RJ, já que a visão desta é de fácil acesso devido a altura do morro de 700m. Para ver o Cristo da Barra e seus detalhes, assim como a paisagem que o rodeia, é necessário chega perto e subir um morro rodeado de grama e coqueiros que fazem sombra onde muitos preferem sentar e sentir o contato com a natureza e suas formigas. A visão é tão bela quanto subindo a ladeira para chegar mais próximo da estátua. Alguns sobem e sentam em frente ao mar não se preocupando com a distância entre o Cristo e a terra, lugar consideravelmente alto. Outros admiram de pé a bela<a href="http://bp2.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmoZ9iDEDxI/AAAAAAAAAmc/o-4Lx04C8yE/s1600-h/morrocristo.jpg"><img border="0" src="http://bp2.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmoZ9iDEDxI/AAAAAAAAAmc/o-4Lx04C8yE/s320/morrocristo.jpg" style="float:right;cursor:hand;margin:0 0 10px 10px;" /></a> visão. Quem visita o morro para tentar se animar ou refletir sobre a vida, é bem recompensado ao olhar a água do mar furiosa batendo nas pedras e se acalmando ou ao sentir o vento batendo no rosto. Descrever a paisagem a noite é quase inexplicável: “Estou sentado em um dos lugares mais lindos de Salvador, um local tão lindo que se torna em um belo ponto de visão de um romance secreto entre o brilho espetacular da noite com o frio e a sutileza do mar. Que parece ser tão lindo, mas ao mesmo tempo traiçoeiro e destruidor”, diz o estudante Daniel Santos, 17.</p>
<p align="justify">Apesar da iluminação imposta ao redor do Cristo, existem ainda muitas reclamações acerca da segurança: “Há segurança é deficitária, principalmente quando se trata a respeito de menores infratores”, afirma o policial civil e jornalista Vilson Marcilho, 59. Há quem diga que melhorou e que a participação dos seguranças tem sido efetiva: “Tem muitos policias aqui. É porque o pessoal vem de noite, ai parece ta pedindo para ser assaltado”, diz o segurança Edmário dos Santos, 33.</p>
<p align="justify">No entanto os guias de turismo recomendam: “Como é um monumento turístico, aconselho que as pessoas vão em grupos com os guias. Nos últimos anos a criminalidade tem aumentado, principalmente de menores”, afirma o guia turístico André Costa. Os comerciantes ao redor presenciam sempre algum assalto ou briga: “Assalto é constante, tem todo o dia. As brigas são de pivete, nada muito anormal. Escolhi este ponto porque é perto de casa e porque é um ponto turístico que tem movimento”, diz a vendedora de coco Maria Conceição, 37.</p>
<p align="justify"><strong>História do Cristo</strong><br />
Há quem se engane ao dizer que o Cristo da barra foi um clone do Rio de Janeiro, sem saber que nosso Cristo é mais antigo. ( Revista Geográfica Universal, agosto de 1920). Tão antigo que junto com a falta de registro das entidades de preservação de monumentos históricos e bibliotecas, a estátua se corroi junto com sua história. Os escultores da história do Cristo como o neto do escultor Pasquale De Chirico, Bartolo Sarnelli, e a guia de turismo, atual pesquisadora de monumentos Celita Nogueira dão a reparação e retoques necessários para que monumentos como este não sejam esquecidos.</p>
<p align="justify">Sarnelli coleta informações sobre todas as obras do avô e Nogueira sobre todos os monumentos de Salvador: “Eu sofri pelas bibliotecas, museus e fundações, por causa da carência de informações e inexistência de registros. Eu, como muita gente sabe, estou fazendo um trabalho sobre o Pasquale De Chirico, mais por interesse pessoal do que, digamos, profissional. Consegui reunir um certo volume e catalogar as principais obras deles, boa parte não exposta em via pública, mas ainda estou perseguindo o meu objetivo. Nós éramos muito ligados. Andava muito com ele. Então eu ouvia muita coisa e nesse ouvir coisa de criança que escuta, mas parece que o vento tá levando foi que eu baseei todo o trabalho que eu já fiz a respeito dele”, diz Bartolo Sarnelli,76.</p>
<p align="justify">Já a guia de turismo iniciou sua coleta de informações sobre monumentos a partir de uma dúvida: “Eu estava no ônibus quando alguém me perguntou: que monumento é este? Apontando para o largo da Mariquita. Eu não sei, mas lhe prometo que se um dia lhe encontrar eu falo, respondi. Tinha me formado como guia de turismo e a partir disso, tive a idéia de pesquisar sobre os monumentos. Tem dois anos que venho pesquisando. Pesquiso o homenageado, o autor, a simbologia e o material pra não ter problema”, diz Celita Nogueira.</p>
<p align="justify">O Cristo da Barra foi esculpido pelo italiano Pasquale de Chirico (Jornal a Tarde: “O passado esculpido por De Chirico” por Mary Weinstein) em Gênova e trazido para a Bahia a pedido do desembargador judeu convertido ao catolicismo José Botelho Benjamin que fez a doação para presentear a cidade, sendo, portanto propriedade da prefeitura municipal de Salvador de acordo com a Fundação Gregório de Matos (EMTURSA).</p>
<p align="justify">Lendas que denominavam o doador um cristão autônomo que teria feito uma promessa, cai por terra com o registro do desembargador. A estátua é uma modificação do quadro a óleo que existe no tribunal superior de justiça, feito por Dulce Benjamim Tourinho. O monumento foi trazido pelo navio Cervino e inaugurada em 24 de dezembro de 1920, de forma solene, com discursos do padre Luiz Gonzaga Cabral, orador sacro da época, na gestão do governador da época J.J Ceabra. Feita em mármore de Carrara com a altura de 7m total e 2,80m a figura do Cristo, a estátua esta firme sobre um pedestal de concreto armado, revestido de placas de mármore escuro.</p>
<p align="justify">Mas nem sempre o cristo esteve no morro do Ipiranga, Avenida Oceânica, antiga Avenida Getúlio Vargas. A estátua foi primeiramente imposta no Monte de Jesus, morro da atual prefeitura da Aeronáutica, Ondina e só em 1967 foi transferida. (Texto: Pasquale, o Escutor, por Ubaldo Marques Porto Filho). A retirada da estátua do local se deve a uns detonamentos da pedreira na base do morro, que ao explodir as dinamites, encurtava o local, colocando em perigo a segurança do Cristo. Quando houve a modificação foi possível ver a assinatura do autor, que foi fotografado pela Fundação Gregório de Matos.</p>
<p align="justify"><strong>O escultor</strong><br />
Oriundo de uma família repleta de artistas, Pasquale não demorou muito para descobrir seu dom. Aos poucos foi desenvolvendo, o qual dominou a arte da Bahia durante muito tempo, precisamente na primeira metade do século XX. Monumentos de sua autoria estão espalhados em toda a cidade como a estatua de Castro Alves, Thomé de Souza, Dom Pedro II, dentre muitas outras obras que através de seus traços únicos, ficariam marcadas e lembradas pelos seus seguidores e admiradores.</p>
<p align="justify">Pasquale de Chirico nasceu na pequena cidade de Venosa, onde não há muito sobre sua história, devido a um incêndio do cartório onde estava registrado Nasceu em 1873, estudou em Nápoles, esteve em Roma e com 20 anos de idade se estabeleceu em São Paulo, onde permaneceu por 10 anos.</p>
<p align="justify">A pedido do engenheiro Teodoro Sampaio veio para a Bahia, para que ajudasse na reconstrução artística da Antiga Faculdade de Medicina, que tinha sido incendiada, a partir de então passou a morar no Rio Vermelho, onde hoje é o restaurante SUKIAKI. Além de escultor, foi professor da escola de belas artes na UFBA, atraindo milhares de seguidores como Ismael de Barros: “Pasquale deixou diversos alunos como Ismael, mas ele não pegou a fase que meu avô pegou. Esta fase morreu com ele. Não que Ismael não fosse capaz. Mas foi porque não surgiu mais encomenda deste tipo”, esclarece Bartolo Sarnelli.</p>
<p align="justify">Em seu tempo livre, Pasquale também desenhava, alguns eram vendidos, mas a maioria dado a amigos e guardados em casa: “Artista não visava enriquecer.Vivia da arte, pela arte, para arte. Quando não tinha nada pra fazer ou não tava inspirado pro trabalho. Ficava em casa desenhando amigos, pegava um coitado na rua que tava com chapéu de palha desfiado, levava para casa e desenhava. Ele dava o desenho como fosse uma brincadeira e fazia pequenas estatuetas, mas na realidade ele estava dando o q vemos hoje que é uma obra de arte ”, conta Sarnelli ao apontar para os 6 desenhos emoldurados em sua parede. Devido à falta de costume da época de fazer registros históricos, a história de Pasquale e seus monumentos tem sido restritas: “Dentro de casa também não dava muito importância ao velho. Para família ele era apenas um membro, não se levava em conta a importância dele. O tamanho do artista que ele era, que não era nem tão grande não viu, tinha 1m55”, diz Sarnelli.</p>
<p align="justify"><img border="0" src="http://bp0.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmoaeCDEDyI/AAAAAAAAAmk/xdpuknNqliU/s320/morrocristo3.jpg" style="display:block;cursor:hand;text-align:center;margin:0 auto 10px;" /></p>
<p align="justify"><strong>Projetos de manutenção dos monumentos<br />
</strong>A fundação Gregório de Matos é a atual responsável pela fiscalização e manutenção dos monumentos de Salvador. Existem na cidade 176 obras de arte e de valor histórico, sete chafarizes, sete efígies, 27 esculturas, 23 estátuas, 20 fontes, sete fontes luminosas, 40 bustos, sete hermas, quatro memoriais, 11 monumentos significativos e três oratórios (Fonte: http://www.cultura.salvador.ba.gov.br/sitios-historicos.php)<br />
Dentre os quais muitos estão esquecidos, acabados e corroídos.</p>
<p align="justify">O único monumento que tem fiscalização 24h é o de Luis Eduardo Magalhães, mantida por dois seguranças. Projetos como Adote um monumento, conscientização nas escolas são iniciativas da instituição. O Salvador Atende (156) é um disk denúncia que permite as pessoas denunciarem más condições dos monumentos e até roubo. Estatuas como a de Vinicius de Moraes, em Itapuã do artista Juarez Paraíso, foi roubado o óculos na inauguração. Assim como ela, muitos outros monumentos têm sido deixados de lado e junto com eles a história da cidade que representam: “Até hoje não consegui tirar uma fotografia do Thomé de Souza sem que tivesse um pombo na cabeça dele. A estátua de Visconde de Cairú ta toda melada e corroída por causa das fezes de pombo que tem um ácido que corroi o metal. A estátua da figura Vitória, ficou vários anos solta da base, com a cabeça apoiada Visconde de Cairú”, desabafa Sarnelli.<br />
(junho de 2007)</p>
<p></span></p>
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		<title>Histórias de pescador</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Jun 2007 01:21:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[por Lízia Sena
Simpáticos, sorridentes, criativos e conversadores, os pescadores têm muito o que contar. Profissão antiga, que aos poucos foi se modernizando e para alguns não há mais divertimento no mar. A profissão difícil, ainda mais para quem não se adapta a modernização, transformou alegria em sofrimento. Sujeitos à chuva, sol, ventos fortes, correntezas, dias [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdaorla.wordpress.com&blog=1555225&post=42&subd=soteropolitanosdaorla&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="justify"><a href="http://bp0.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmS7riDEDNI/AAAAAAAAAh0/Sii8FT4Tj_w/s1600-h/lizia1colorida.jpg"><img border="0" src="http://bp0.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmS7riDEDNI/AAAAAAAAAh0/Sii8FT4Tj_w/s320/lizia1colorida.jpg" style="float:right;cursor:hand;margin:0 0 10px 10px;" /></a>por Lízia Sena</p>
<p align="justify">Simpáticos, sorridentes, criativos e conversadores, os pescadores têm muito o que contar. Profissão antiga, que aos poucos foi se modernizando e para alguns não há mais divertimento no mar. A profissão difícil, ainda mais para quem não se adapta a modernização, transformou alegria em sofrimento. Sujeitos à chuva, sol, ventos fortes, correntezas, dias sem dormir e saudades da terra, nossos capturadores de peixe tentam manter o riso. Nesta minha busca em conhecer mais a profissão, percorri algumas colônias de pescadores e uma extensão. Fiz entrevistas com presidentes, diretores e com os próprios pescadores. As conversas na beira do mar e piadas enquanto jogavam baralho e dominós colaboraram tanto quanto as pesquisas e entrevistas. Dentre as colônias visitadas estão à Colônia do Peso Z1 (Rio Vermelho), A Mariquita união dos pescadores filiada Z1(Rio Vermelho), Colônia de Pescadores COOPY Z6(Itapuã) e a extensão da colônia de Itapuã, que fica em Piatã. Todas diferenciadas em vários aspectos e integrantes cheios de história para contar.</p>
<p><span id="more-42"></span></p>
<p><span class="fullpost"></span><span class="fullpost">“Quem inventou o náilon merece ser enforcado nele”, brinca o pescador da Colônia Z6, Nilson, sobre a substituição do fio de linha pelo náilon. Apesar de seus benefícios e duração eterna, o náilon queima muito mais a pele do que a linha. Mas o náilon não foi o único instrumento que possibilitou uma pesca moderna. Sondas localizam peixes. Barcos motorizados deram início a <a href="http://bp3.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmS9oSDEDWI/AAAAAAAAAi8/dRXyQjERkN0/s1600-h/lizia14colorida.jpg"><img border="0" src="http://bp3.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmS9oSDEDWI/AAAAAAAAAi8/dRXyQjERkN0/s320/lizia14colorida.jpg" style="float:left;cursor:hand;margin:0 10px 10px 0;" /></a>pescas mais lucrativas, pela potência que o barco tem de navegar por 8 a 15 dias, muitas vezes. Se antes a comida era esquentada numa fogueira no interior do barco com muito cuidado para não queimar as linhas, hoje fogão e gás facilitam a preparação: “Naquele tempo era fogão de pedra. Tinha que jogar água logo para apagar, porque ia fogo pra tudo que é lado, ainda mais com ventos fortes”, diz Nilson. “Os barcos têm medicamentos, rádio, coletes, bússolas. Não é como antes, a base de remo. Quase todos são motorizados. Não tem mais precisão de sair de madrugada. A rotina é 6h, 7h da manhã. Levantam, pegam seus equipamentos, pegam o barco e vão à luta”, completa o presidente da colônia de Itapuã, Nelsom dos Santos, apelidado de Pai Velho.</span><span class="fullpost"> </span><span class="fullpost"></p>
<p align="justify"><strong>Uma outra realidade</strong><br />
Mas nem todos conseguem acompanhar a modernização. Estes acabam lucrando menos, declinando, esperando o milagre da multiplicação dos peixes na beira do mar. Com poucos barcos motorizados &#8211; a maioria é à vela &#8211; peças deteriorizadas, sem apoio ou dinheiro para reestruturação, a Colônia Z1 se encontra em estado crítico. Com mais de 100 barcos parados, o silêncio e a tranqüilidade do local escondem o sofrimento de uma colônia fantasma. A falta de peixe, o mau tempo, as correntezas fortes e as embarcações inapropriadas são problemas freqüentes enfrentados pelos pescadores da colônia: “Quando chegamos numa posição com condição para pegar o peixe, vem embarcações melhores de outros lugares e levam. O pescador, coitado, fica com o dedo na boca esperando que aconteça o bom tempo para voltar ao mar. A situação é essa”, desabafa o presidente da Colônia Z1, Eulirio Menezes, 80 anos.Também motorista particular, confessa que não é mais possivel viver como pescador. “Eu já tenho 80 anos, eu vou para onde? Vivo da aposentadoria e como motorista, porque aqui não ganho nada”.</p>
<p align="justify"><strong>Caiu na rede, é lucro?<br />
</strong><a href="http://bp2.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmS9NCDEDUI/AAAAAAAAAis/btSkqMATkBY/s1600-h/lizia8.jpg"><img border="0" src="http://bp2.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmS9NCDEDUI/AAAAAAAAAis/btSkqMATkBY/s320/lizia8.jpg" style="float:left;cursor:hand;margin:0 10px 10px 0;" /></a>Depende de como é feita a divisão. Isso difere numa associação, extensão de colônia ou num trabalho por conta própria. Para os não modernizados, o trabalho na busca pelo peixe tem dado é muito prejuízo. Um barco geralmente sai com dois, três pescadores e os gastos com gelo, mantimento, óleo, isca, náilon são relevantes. Além das despesas e a fiscalização de peixeiros, existe o chamado quinto, que é a porcentagem dada ao dono do barco. “Os pescadores saem hoje. Gastam seis sacos de gelo, R$40 de mantimento, mais R$40 com óleo. Volta daqui a três dias com 20kg de peixe. Vende por R$10 para o peixeiro, que vende por R$18. São R$200. R$100 de despesa. Tira o quinto fica R$160,00. R$40, R$60,00 pra cada homem. Não paga nem a noite perdida, <a href="http://bp1.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmS83yDEDTI/AAAAAAAAAik/KgT4EfgZ0FY/s1600-h/lizia9.jpg"><img border="0" src="http://bp1.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmS83yDEDTI/AAAAAAAAAik/KgT4EfgZ0FY/s320/lizia9.jpg" style="float:right;cursor:hand;margin:0 0 10px 10px;" /></a>dormindo sentado, sujeito a chuva”, diz Eulirio. Para quem tem peixaria junto à colônia, no caso da colônia de Itapuã, a situação é benéfica. Sábado de manhã, pescadores voltando do mar. Ao som de cortes de faca, música baiana e gritos de compradores, as notícias velhas e propagandas políticas eram usadas para enrolar o peixe. Depois da jornada em alto mar, o peixe conseguido é pesado, vendido, despesas pagas e chega a hora de ratear o lucro, ou melhor, a sobra. Diferente da extensão da colônia de Itapuã ou daCcolônia Z1 que precisa vender os poucos peixes conseguidos, sabendo que os peixeiros lucraram mais. Porém conscientes de que estes também têm suas despesas: “Mas é isso mesmo. Porque eles têm prejuízo, tem que comprar gelo, material de limpeza”, diz um dos diretores do núcleo das Mariquitas, José Silva. A divisão nos peixes em Piatã não é das mais amorosas. Brigas, gritos, vozes ecoam na busca pelo peixe. O remador, calandeiro e puxador, a depender da posição hierárquica, obtém uma porcentagem diferente do lucro. A Colônia de Peso apesar de ter a peixaria junto à colônia, aluga o espaço para que a colônia sobreviva: “Vem caindo, levantando… caindo, levantando, mas vem se erguendo”, diz Eulirio.</p>
<p align="justify"><strong>Caiu na rede, é peixe?</strong> <a href="http://bp2.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmS8rCDEDSI/AAAAAAAAAic/GXg3Kk-5Z3M/s1600-h/lizia8colorida.jpg"><img border="0" src="http://bp2.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmS8rCDEDSI/AAAAAAAAAic/GXg3Kk-5Z3M/s320/lizia8colorida.jpg" style="float:left;cursor:hand;margin:0 10px 10px 0;" /></a><br />
Nem sempre. A poluição das águas tem causado o afastamento e morte de muitos peixes, prejudicando a renda do pescador. A sujeira encontrou seu lugar na rede e indignação é geral “O pessoal que mergulha, puxa a linha, vê a isca toda amarela, rede escorregadia, uma altura enorme só de pó. Peixe nenhum come uma isca desta”, desabafa o pescador da colônia de Itapuã, Nilson, 70 anos. As reclamações são baseadas na fábrica perto da colônia, lixo jogado pelos moradores, mas, principalmente, pelas cinco plataformas da Petrobrás perto do Rio Vermelho, indo para Morro de São Paulo: “Mês passado eu estava passando por aqui e vi duas toneladas de peixes boiando por causa do gás liberado na retirada do petróleo. Mas ninguém diz nada, abafam, isso não sai no jornal, mas a verdade é essa”, diz o presidente da Colônia de Peso no Rio Vermelho, Eulirio Menezes, 80. Sem apoio ou solução&#8230; Mais difícil do que achar agulha no palheiro, só resta ao pescador se aventurar. Para quem tem barcos motorizados o jeito é adentrar na imensidão do mar. Para os que não têm ou mudam de profissão, lutam por uma solução. O barco nomeado “Vou e volto com Deus”, encostado na areia da praia do Rio Vermelho vai ficar com Deus por mais tempo, até que o milagre da multiplicação de peixes aconteça. Ou até que a conscientização em relação à poluição, ajuda do governo e a modernização alcancem, de uma vez por todas, as colônias sem exclusão. Milagres acontecem, mas é preciso que o homem faça sua parte.</p>
<p align="justify"><strong>Festa de Iemanjá <a href="http://bp1.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmS8fyDEDRI/AAAAAAAAAiU/zYmQbTuFoIU/s1600-h/lizia7colorida.jpg"><img border="0" src="http://bp1.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmS8fyDEDRI/AAAAAAAAAiU/zYmQbTuFoIU/s320/lizia7colorida.jpg" style="float:right;cursor:hand;margin:0 0 10px 10px;" /></a><br />
</strong>Em 1923, 25 pescadores foram presentear a mãe d´ água devido a escassez dos peixes em busca de melhorias na pesca. A partir de então, todo ano, no dia 2 de fevereiro adeptos do candomblé, turistas e pescadores passaram a reverenciar Iemanjá com flores, jóias, batons, perfumes, tudo que uma mulher vaidosa deseja. A festa acontece no Rio Vermelho, tanto na terra quanto no mar, com músicas baianas e fogos de artifício animando e engarrafando as vias estreitas.</p>
<p align="justify"><strong>O pescador e seus amores<br />
</strong>Deixar a família, filhos, esposas na terra e navegar livres de paredes, presos apenas pelo mar que os rodeia parece ser uma vida solitária. Mas a volta sempre compensa, ainda mais sabendo que existem mais de uma mulher esperando. O pescador não se conforma com um amor, se entrega à várias paixões e acaba colocando a culpa no peixe, que não tem voz para se defender: “Uma mulher queria porque queria peixe. Eu disse que não podia dar, depois dou outra coisa. Com uma mulher eu tenho 12 filhos, em Pernambuco 2, ao total são 28. Mas no meu tempo é menos, meu pai tinha 3 mulheres”, conta um pescador. Seu amigo aproveita a situação para fazer uma piada: “É por isso que morreu cedo, não agüentou. A mulher foi pedi peixe, voltou com 12 filhos. Nunca peça peixe a pescador”, me aconselha.</p>
<p align="justify"><strong><a href="http://bp2.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmS8PCDEDQI/AAAAAAAAAiM/viJ02uEATYw/s1600-h/lizia4colorida.jpg"><img border="0" src="http://bp2.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmS8PCDEDQI/AAAAAAAAAiM/viJ02uEATYw/s320/lizia4colorida.jpg" style="float:left;cursor:hand;margin:0 10px 10px 0;" /></a>Filhinho de peixe, gafanhoto é<br />
</strong>De geração em geração, filhos de pescadores têm seguido o mesmo caminho. Quando não se tornavam pescadores, seguiam o rumo de peixeiro, mas sempre permanecendo na mesma linha de espécies aquáticas. Mas a história tomou outro rumo. A profissão difícil, ainda mais para quem não se moderniza, tem causado dor e sofrimento: “Já tem 10 anos que não tem um filho de pescador que queira ser o que o pai é. Porque eles enxergam o sofrimento. Ou vão procurar outra vida ou não fazem nada. Porque sabem que se vier para aqui vai ser pior”, diz Eulirio Menezes.</p>
<p align="justify"><strong>História de pescador</strong><br />
“Eu vou te contar uma que você não vai acreditar”, assim começam todos os pescadores antes de contar algo que só eles acreditam. Como o ditado diz, é tudo história de pescador. Verdade ou não, foi divertido escutar todas elas. “Meu cachorro vinha trazer comida para mim na beira do mar. Eu amarrava um prato na cabeça dele e ele trazia. Acredite se quiser”, diz o pescador Paulo Roberto, 30 anos “Eu já estava sem isca alguma, quando peguei o peixe boi de mais de 22 kg”, conta outro. As histórias seguem recheadas de criatividade. <a href="http://bp1.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmS8DyDEDPI/AAAAAAAAAiE/2lGUF2ApNP0/s1600-h/lizia3.jpg"><img border="0" src="http://bp1.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmS8DyDEDPI/AAAAAAAAAiE/2lGUF2ApNP0/s320/lizia3.jpg" style="float:right;cursor:hand;margin:0 0 10px 10px;" /></a></p>
<p align="justify"><strong>As colônias e extensões</strong><br />
<strong>Colônia Z1(Rio Vermelho)</strong> &#8211; A primeira organização da colônia foi fundada em 1923. Reconstruída em 1972 pela prefeitura municipal. Tem em média 300 pescadores. Uns já mortos, outros procurando outra profissão. Colônia em estado critico, com barcos parados, sem modernização, sem dinheiro para estruturar. O presidente Eulirio Menezes, 80 anos, confessa que só ganhou cabelo branco: “Estou aqui para dar apoio e me distrair. Não é possível mais viver de pescaria hoje em dia”.<strong><a href="http://bp3.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmS74SDEDOI/AAAAAAAAAh8/qUVDGKI36rw/s1600-h/lizia2colorida.jpg"><img border="0" src="http://bp3.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmS74SDEDOI/AAAAAAAAAh8/qUVDGKI36rw/s320/lizia2colorida.jpg" style="float:left;cursor:hand;margin:0 10px 10px 0;" /></a>Mariquita união dos pescadores filiada Z1 (Rio Vermelho)</strong> &#8211; O núcleo foi fundado por seis amigos. “Quando desmancharam o mercado velho, não tinha como guardar o aviamento, tínhamos que guardar em casa. Apareceu um amigo nosso, hoje falecido com as piaçabas e madeiras. Compramos a madeira na mão dele e ele deu as piaçabas e fundamos a associação”, diz um dos diretores do núcleo, José Silva. No dia 28 de janeiro a colônia faz 20 anos. Sem fins lucrativos, ou ajuda da prefeitura “vão tocando a vida”, construindo e reformando seus próprios materiais. Tem barcos a vela, alguns motorizados e pretendem construir três peixarias no local, para ter mais lucro.</p>
<p align="justify"><strong>Colônia de pescadores COOPY Z6 (Itapuã)</strong> &#8211; Colônia com mais de dois séculos e muita história pra contar. “Depois dos índios, nós, pescadores, fomos os primeiros a pisar nesta terra”, diz o presidente da colônia, Pai Velho. Uma associação com cerca de 3800 integrantes, mas apenas 780 pescadores profissionais. Os outros são contribuintes e amadores. Barcos motorizados, pescaria conjunta e financiamento do governo. “Deus nos deu esta casinha, antes era de palha, agora está bem melhor”, diz o pescador Paulo Roberto, 30 anos.</p>
<p align="justify"><strong>Extensão da colônia de Itapuã</strong> &#8211; Canoas, pesca rápida. A maioria é pesca para o próprio consumo. O peixe conseguido é vendido ao peixeiro, depois rateado entre puxadores, remadores, calangueiros e donos do barcos.<br />
(maio de 2007) <a href="http://bp0.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmS-GiDEDYI/AAAAAAAAAjM/bKHFxDWN498/s1600-h/lizia11colorida.jpg"><img border="0" src="http://bp0.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmS-GiDEDYI/AAAAAAAAAjM/bKHFxDWN498/s320/lizia11colorida.jpg" style="float:right;cursor:hand;margin:0 0 10px 10px;" /></a></p>
<p></span></p>
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		<title>Conforto à beira mar</title>
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		<pubDate>Tue, 29 May 2007 15:43:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[por Milena Quize
“Vai querer cadeira morena?”, “Qualquer coisa é só falar comigo!”, “Faço um pacote para você”. Com apenas alguns segundos pisando na areia, já se é rodeado por várias pessoas que prometem dar conforto aos praieiros que querem curtir o Sol forte e as águas tranqüilas da praia do Porto da Barra. Vestidos com [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdaorla.wordpress.com&blog=1555225&post=35&subd=soteropolitanosdaorla&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="justify">por Milena Quize</p>
<p>“Vai querer cadeira morena?”, “Qualquer coisa é só falar comigo!”, “Faço um pacote para você”. Com apenas alguns segundos pisando na areia, já se é rodeado por várias pessoas que prometem dar conforto aos praieiros que querem curtir o Sol forte e as águas tranqüilas da praia do Porto da Barra. Vestidos com trajes de banho e protegendo-se contra o calor com bonés, óculos escuros e protetor solar, dominam a área. Num espaço onde não existem as tradicionais barracas, o que resta – sem querer ou poder diminuir o que é feito – são os serviços dos homens que alugam cadeiras e sombreiros no lugar que é considerado um dos mais lindos do mundo.<span id="more-35"></span><span class="fullpost"></span><span class="fullpost"> Além disso, ainda vendem água mineral, refrigerante e bebidas alcoólicas. Só não dão mesmo conta da comida, que pode ser comprada de outros vendedores ambulantes. “A gente ainda não tem estrutura para oferecer tira-gosto. E por um lado é até bom, porque assim todo mundo pode ganhar o seu”, diz Renato Santana, 35 anos. O cardápio dos banhistas é cheio de opções. Vai do picolé capelinha ao camarão do famoso João, que desfila por entre milhares de pessoas, erguendo a bandeja de alumínio onde oferece seus espetinhos.<br />
<strong><br />
Arrumação</strong><br />
O que se vê é um improviso. Improviso, que se diga, organizado. Ficam quase que em fila. Cada alugador tem, em média, dois isopores grandes – onde armazenam o que vendem – que ficam debaixo de um todo ou de um enorme guarda-sol, juntamente com as cadeiras e sombreiros. Como se fixam em local público, precisam de uma licença municipal, que lhes custa R$150 mensais. “Mesmo custando caro vale a pena. Se mesmo com fiscalização, sempre tem alguém que não paga aparecendo, imagine se fosse livre? Ia virar bagunça”, afirma Júlio César Moreira, 23 anos. Quando perguntado sobre o dinheiro que consegue com o trabalho, responde: “Na alta estação, chego a tirar R$400,00 por mês. Mas no inverno, tiro no máximo R$300”.</p>
<p>A concorrência é forte, contudo pacífica. Não se nota cara feia ou competição entre eles. “Tudo aqui é na base da união. Quem vê o cliente primeiro chega junto. O outro nem vai atrás. O que um não tem, o outro empresta”, conta Júlio, que não pára um só minuto, alternado-se entre seus clientes e os mergulhos no mar que servem para lhe esfriarem a cabeça e o corpo que, mesmo depois de três anos, ainda sofrem com as altas temperaturas.</p>
<p>Cobram mais caro dos turistas estrangeiros, facilmente identificados pela aparência física e pelo jeitão diferente. Logo se vê que são peixes de um outro aquário. “Ah&#8230; Eles têm mais dinheiro que o pessoal daqui!”, admite Fernando Sousa, 29 anos. Mesmo pagando mais, os peixinhos do Norte acabam recebendo mais mordomias. Alguns tiram até um sono leve, envoltos pelas brisas que sopram em direção ao mar.</p>
<p>Os clandestinos são poucos e, por medo de uma possível fiscalização não ficam na praia sempre. “A gente vem uma vez ou outra, quando dá”. Sendo verdade ou não, foi tudo o que se permitiram dizer dois deles, que estavam conversando no momento em que foram abordados. Não quiseram dar seus nomes.</p>
<p><strong>Frustração</strong><br />
Segunda-feira, dia de correr atrás de outros dois alugadores de cadeiras e guarda-sol, já antes vistos em momentos onde a única pretensão era o lazer. O rumo a Jaguaribe foi lançado. Chegando lá, nenhum deles sequer foi visto. Havia poucas pessoas aproveitando o Sol fraco que fazia naquele início de tarde. Depois de andar um bom tempo e voltar ao ponto de partida, já certa da minha inevitável frustração, resolvi parar o estudante Leandro Pereira, 20 anos, que saía do mar com sua prancha de surf debaixo do braço. “Não costumo vê-los por aqui nas segundas-feiras. Acho que perdeu mesmo a viagem”. Sem a possibilidade de voltar num outro momento, a única saída foi o conformismo.</p>
<p><strong>Clientela Satisfeita</strong><br />
Atendidos a qualquer chamada, tendo cortesmente seus pés refrescados contra a areia quente de hora em hora, os clientes não têm do que reclamar. Sem falar que, nesse caso, a negociação é algo mais do que comum entre quem paga e quem é pago. Afinal, mesmo sendo “na base da união”, a concorrência não deixa de se fazer presente. “Consigo, no mínimo R$0,50 de desconto em tudo que compro e alugo”, conta a estudante Dijara Conceição, 19 anos. “Tudo bem que aqui não tem as duas alternativas, mas prefiro mil vezes vim para cá a ir para as praias com barracas”, acrescenta a também estudante Clara Martins, 18 anos. Os turistas também aprovam o serviço. Alexandre Nascimento, 25 anos, se mostra bastante satisfeito: “O atendimento é muito bom”, diz o mineiro que não abre mão de passar temporadas em Salvador todos os anos.<br />
(maio de 2007)</p>
<p></span></p>
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		<title>Estado de conservação dos pontos de ônibus da orla</title>
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		<pubDate>Tue, 29 May 2007 15:42:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[por Verena Campello

A orla de Salvador tem paisagens naturais encantadoras. Além dos coqueiros que a acompanham, hoje, é marcada por novos estilos de pontos de ônibus. Esses novos pontos tiveram o estilo importado da Europa durante a gestão do prefeito da época, Antônio Imbassaí. Com uma arquitetura moderna e arrojada, os novos pontos deixaram a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdaorla.wordpress.com&blog=1555225&post=34&subd=soteropolitanosdaorla&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>por Verena Campello<br />
<a href="http://bp0.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmS2BiDEDMI/AAAAAAAAAhs/aXCCqqGhbRY/s1600-h/verenacampello.jpg"><img border="0" src="http://bp0.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmS2BiDEDMI/AAAAAAAAAhs/aXCCqqGhbRY/s320/verenacampello.jpg" style="float:right;cursor:hand;margin:0 0 10px 10px;" /></a><br />
A orla de Salvador tem paisagens naturais encantadoras. Além dos coqueiros que a acompanham, hoje, é marcada por novos estilos de pontos de ônibus. Esses novos pontos tiveram o estilo importado da Europa durante a gestão do prefeito da época, Antônio Imbassaí. Com uma arquitetura moderna e arrojada, os novos pontos deixaram a cidade com um aspecto mais urbano e sofisticado. Porém, o estado de conservação desses pontos não é dos melhores e parece não agradar a maioria dos usuários de transporte público da cidade.<span class="fullpost"></span><span class="fullpost"><span id="more-34"></span> As pessoas mal se lembram de como eram os pontos antes, mas acham que esse novo estilo não se encaixa muito bem no perfil da cidade, já que não protege as pessoas do Sol, da chuva e nem da violência, característica, hoje, inerente nas cidades urbanas Brasileiras, como é o caso de Salvador. Segundo a secretária da Gepro (Gerência de Projetos da Secretaria de Transportes da Prefeitura Municipal de Salvador), Meire Barbosa, os novos pontos tem como finalidade, principalmente na orla, não impedir a visão da paisagem do mar com sua estrutura de vidro.</span><span class="fullpost"> </span><span class="fullpost"></p>
<p align="justify">Falar do sistema de transporte da Bahia é falar de um sistema precário, se comparado a muitas cidades Brasileiras. Um exemplo é a cidade de Londrina, em Curitiba, que possui o melhor sistema de transporte público do Brasil, o que inclui o conjunto de pontos de ônibus altamente estruturados. Os pontos se constituem em cápsulas, onde a passagem é cobrada neste, fator que contribui para a diminuição dos índices de assalto dentro dos ônibus. A pessoa paga, entra e fica esperando o seu ônibus chegar no maior conforto. A segurança é de ponta e a limpeza reforçada. Para a turista Curitibana, Priscila Teles, 29 anos, os pontos de Salvador deixam as pessoas muito mais expostas do que em Londrina. “Na minha cidade é mais fácil esperar um ônibus. E na hora de embaraçar não fica essa loucura igual aqui, porque dentro do ponto já se forma uma fila estruturada sem confusão”, conta Priscila.</p>
<p align="justify">A distribuição dos pontos de ônibus na orla se faz de acordo com as localizações onde existem o maior fluxo de pessoas que estão de saída e chegada. “Os pontos são colocados em locais estratégicos para o melhor acesso da população”, como explica a secretária da Gepro, Meire Barbosa. “Muitos pontos se encontram em estados precários, porque muitas vezes os próprios usuários desses os degradam, quebrando os vidros, ou riscando esses patrimônios públicos”, diz Meire.</p>
<p align="justify"><strong>Desigualdade Social </strong><br />
É impossível não enxergar a desigualdade social até em um bem público, onde a maioria dos usuários são pessoas da classe média para baixo. Pessoas que apesar de estarem ali apenas de passagem, ou à espera, necessitam de um mínimo de consideração para com os impostos que pagam. E por isso mesmo devem receber condições humanas de espera do transporte coletivo. Segundo Joseilton da Silva, cobrador da empresa Verdemar há sete anos, quanto mais para o subúrbio se viaja (pela orla), pior é o estado de conservação dos pontos. Nesses, muitas vezes só tem uma placa onde se lê &#8220;ponto de ônibus&#8221;. “Nesses lugares as pessoas se acomodam do jeito que dá na hora de esperar seu ônibus, correndo diversos perigos”, afirmou Joseilton. E ele ainda confessa que só olha para o mar quando o ônibus está vazio, o que é uma raridade.</p>
<p align="justify">Quanto mais distante dos bairros nobres se fica, e mais próximo dos bairros periféricos se chega, a configuração estética muda. A realidade é outra. A questão segurança é uma realidade, ou melhor, uma não realidade na maioria dos pontos da orla de Salvador. Segundo a empregada doméstica Maria José de Almeida Pitanga, analfabeta, de 50 anos, os pontos são desconfortáveis, não têm iluminação. “Se chover molha todo mundo, e quando o Sol está forte não protege ninguém”, diz Maria. Ela, que faz o trajeto de sua casa em Paripe para seu trabalho no bairro da Pituba há dez anos, conta que numa tarde de terça-feira foi abordada em um ponto da Pituba, em frente ao Clube Português, esperando o ônibus para voltar para casa. “Levaram-me tudo. Senti-me desprotegida por que além da falta de segurança, não havia nenhum módulo policial próximo para eu fazer uma queixa”, relembra Maria José.</p>
<p align="justify">A questão real são as questões estéticas, que mudam bastante de figura de um bairro nobre para bairros mais pobres. As reclamações parecem unânimes na boca do povo, que se queixa de diversos problemas. Os pontos são cheios, sem estrutura para tanta gente, sem conforto, com pouca limpeza, falta de iluminação e segurança. O motorista de ônibus Robson Pontes, confessa que mal observa a paisagem do mar. Ele, que já dirige coletivos pela empresa BTU há três anos, diz que ouve bastantes reclamações dos passageiros sobre a falta de segurança nos pontos. Ele, que passa por tantos pontos durante o dia, revela não reparar muito nas suas estruturas. E afirma que a única coisa de que se recorda é a super lotação de alguns pontos. “Parece que as pessoas vão transbordar”, afirmou Robson Pontes.</p>
<p align="justify">E não é só para as pessoas das classes mais baixas que os pontos parecem representar um verdadeiro incômodo. Segundo o surfista Lucas Garcia, que pega constantemente o ônibus Praia do Flamengo, para surfar em Jaguaribe, os pontos de ônibus da orla se encontram em péssimas condições higiênicas. “O ponto é muito sujo, objetos e alimentos são lançados nas calçadas, o que ajuda na proliferação de animais nojentos. Os acentos dos pontos são estragados e mal da para sentar. A poluição visual também é outro fator negativo, já que muitos pontos servem de mural para panfletos”.</p>
<p align="justify">Os pontos menores são mais limpos e conservados, embora ofereçam apenas três acentos para a espera do transporte público. Os pontos de ônibus maiores têm muita gente, muita confusão, muitos ambulantes e conseqüente falta de limpeza e estrutura. A estrutura dos pontos de ônibus ainda deixa a população bastante dividida em relação à questão da modernidade e estética melhoradas no visual da orla de Salvador. Porém quando a questão é falta de segurança, iluminação, limpeza e proteção aos usuários do sistema de transporte público, a população continua indignada e convicta de que é preciso uma mudança providencial nesses setores.<br />
(maio de 2007)</p>
<p></span></p>
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		<title>A luta por um lar</title>
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		<pubDate>Tue, 29 May 2007 15:36:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Movimento dos Sem Teto de Salvador e seu acampamento na cidade baixa
por Thiago Requião
Quem passa pelo acampamento do Movimento dos Sem Teto de Salvador (MSTS), no bairro do Bonfim, vê uma fábrica abandonada e em ruínas, ocupada por 122 famílias filiadas ao movimento, morando juntas e com espaços divididos por tábuas e lonas. À primeira [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdaorla.wordpress.com&blog=1555225&post=31&subd=soteropolitanosdaorla&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="justify">Movimento dos Sem Teto de Salvador e seu acampamento na cidade baixa<br />
por Thiago Requião</p>
<p>Quem passa pelo acampamento do Movimento dos Sem Teto de Salvador (MSTS), no bairro do Bonfim, vê uma fábrica abandonada e em ruínas, ocupada por 122 famílias filiadas ao movimento, morando juntas e com espaços divididos por tábuas e lonas. À primeira vista, esse cenário pode parecer um local desorganizado, com sujeira espalhada por todos os cantos, que não tem metas e nem projetos que visem a luta pela melhoria no modo de vida. No entanto, não é essa a verdadeira face do movimento que ocupa, há aproximadamente quatro anos, uma antiga fabrica têxtil localizada na cidade-baixa, a Toster.<span class="fullpost"></span><span class="fullpost"> <span id="more-31"></span>Logo que cheguei no portão do prédio fui atendido por um senhor. Apresentei-me como estudante que procurava algum representante que pudesse dar algumas informações sobre o movimento. Antônio Carlos, 65, o senhor que me recebeu, é um dos coordenadores do movimento e foi logo puxando uma cadeira para mim. Logo no início da conversa, ele conta que as famílias estão lá porque não tinham para onde ir e queriam pressionar os políticos para solucionar o problema da moradia. Elas esperavam a construção de conjuntos habitacionais que já haviam sido prometidos pelo governo. Durante a conversa, fomos interrompidos por um morador pedindo a Antônio que ele mandasse arrumar a bagunça que tinham feito no primeiro andar do prédio. Uma pilha de papelão havia se formado num dos corredores principais. Foi quando ele me disse que a maioria dos moradores não tem emprego fixo e sobrevive de “bicos” ou da coleta de lata e papelão para reciclagem. Apesar do problema com a bagunça, Antônio me fala que a convivência lá é de “coleguismo. Um ajuda o outro”.</p>
<p>No MSTS, ao contrário do que se pode pensar, existem metas que eles desejam alcançar. A de lutar pela casa própria para todas as famílias, a mudança do modelo social (sempre em busca de uma maior igualdade de oportunidades para todas as pessoas), uma educação de qualidade, o direito ao trabalho e à saúde para todos, são algumas delas. Dentro do movimento existe uma grande organização interna, uma hierarquia com líderes e coordenadores, que sempre buscam manter a unidade, organização e limpeza do local.</p>
<p>O trabalho desenvolvido pelo movimento vai além da casa própria. Eles buscam uma conscientização e educação das famílias filiadas. Não basta fornecer a casa para a família, tem que dar a oportunidade para ela se estruturar. Jhones Bastos, líder do acampamento na Toster afirma: “Quem está no MSTS está para sempre, porque depois da moradia é intensificado o trabalho em comunidade, com ênfase nos debates sobre valores, ética e modos de produção”.</p>
<p><strong>Caminhos da luta</strong><br />
O MSTS teve sua origem, oficialmente, em 2003. Nesses quatro anos de atuação já fez diversas ocupações na tentativa de pressionar o governo a tomar medidas para combater o déficit habitacional na capital baiana. Apesar do movimento ser local, ele tem ligações com diversos grupos que também lutam pelo direito à moradia em outras cidades do país, como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) de São Paulo. O movimento teve origem na Estrada Velha do Aeroporto. Muitas pessoas, que hoje estão na antiga fábrica da Toster, vieram de lá. As outras pessoas do acampamento são moradores da própria cidade-baixa, que, desempregados e sem um local para viver, viram no movimento uma boa oportunidade de luta pela moradia.</p>
<p>Existe um projeto da prefeitura que pretende solucionar os problemas das pessoas que vivem na antiga Toster. Com o projeto, o governo pretende transformar o prédio &#8211; que hoje se encontra em estado de ruína e não tem nenhuma condição de abrigar as famílias com segurança e dignidade &#8211; em apartamentos para moradia. Os que puderem pagar o financiamento da Caixa Econômica ficarão nos apartamentos do local. Já as que não puderem, serão levadas para conjuntos habitacionais que estão sendo construídos para alojar tanto as famílias que estão no Bonfim, quanto as do antigo Clube Português. Os conjuntos habitacionais do governo estão sendo construídos nos bairros de Pirajá, Cabrito e Valéria.</p>
<p><strong>Relação com o governo<br />
</strong>A prefeitura de Salvador tem criado bom canal de negociações com o movimento, não tendo nenhum grande impasse na comunicação entre o MSTS e a prefeitura, como afirma Antônio Carlos: “O problema é só a demora e falta de um prazo para a entrega das casas, para que possamos ficar na expectativa da mudança”. Os moradores gostariam de já ter uma data definida de quando receberão as casas definitivas, para começar uma organização para a mudança.</p>
<p>Uma grande queixa dos moradores é a falta de um apoio contínuo da Secretaria de Saúde e do Juizado de Menores. “Falta muito o apoio da Secretaria de Saúde, para fazer campanhas e cuidar das pessoas, e do Juizado de Menores, para aconselhar as mães de como não deixar seus filhos entrarem no crime e nas drogas. Disso nós sentimos muita falta”, conta Atônio Carlos. O coordenador ainda fala sobre como esse apoio é fundamental em um local com pouca infra-estrutura e que pode facilitar a entrada dos jovens na criminalidade por falta de um apoio no que diz respeito à educação e profissionalização, já que uma grande parte das pessoas são desempregadas e sobrevivem de biscates.</p>
<p>O MSTS é um exemplo bem sucedido de como a sociedade deve se organizar para pressionar o governo a resolver seus problemas. É inegável a comparação do Movimento dos Sem Teto de Salvador (MSTS) com o Movimento dos Sem Terra (MST), pois ambos buscam não só a propriedade em si, mas um apoio para produzir, estruturar as vidas de seus membros e deixar de depender do governo. Um outro traço marcante nos dois movimentos é a tentativa de se mudar o atual modelo social, buscando uma maior igualdade de oportunidades.<br />
(maio de 2007)</p>
<p></span></p>
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		<title>Luz para todos</title>
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		<pubDate>Tue, 29 May 2007 15:34:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
por Caio Barbosa
O relógio marcava pontualmente 17h32. O céu azul começava a ganhar tonalidades diferentes, meio alaranjadas talvez. O pôr-do-sol estava por vir. O sol começava a perder seu espaço para a lua, que aparecia timidamente ao fundo do Farol da Barra. 17h44. A noite já ganhava força e com ela a Avenida Oceânica ia [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdaorla.wordpress.com&blog=1555225&post=29&subd=soteropolitanosdaorla&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a href="http://bp1.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmofHSDED6I/AAAAAAAAAnk/j3AxVIPq2uQ/s1600-h/caiobarbosa.jpg"><img border="0" src="http://bp1.blogger.com/_973wIKk3WZc/RmofHSDED6I/AAAAAAAAAnk/j3AxVIPq2uQ/s400/caiobarbosa.jpg" style="display:block;cursor:hand;text-align:center;margin:0 auto 10px;" /></a></p>
<p align="justify">por Caio Barbosa</p>
<p>O relógio marcava pontualmente 17h32. O céu azul começava a ganhar tonalidades diferentes, meio alaranjadas talvez. O pôr-do-sol estava por vir. O sol começava a perder seu espaço para a lua, que aparecia timidamente ao fundo do Farol da Barra. 17h44. A noite já ganhava força e com ela a Avenida Oceânica ia recebendo mais luz. A cada minuto um, dos 69 postes que iluminavam desde o Porto da Barra ao Cristo, ia se acendendo, dando mais vida a toda aquela paisagem. As horas iam passando, e o movimento de carros, pessoas que praticavam cooper ou caminhada, idosos e crianças só fazia aumentar. Às 18h, a estreita calçada da orla ficava menor ainda com a grande quantidade de pessoas que tinham aquele horário como sagrado para sentir um pouco da brisa do mar ou se exercitar.<span id="more-29"></span><span class="fullpost"></span><span class="fullpost"> Há 10 anos, essa realidade era diferente. Na completa escuridão, as pessoas que se arriscavam a freqüentar o Porto da Barra, a Avenida Oceânica e o Cristo até o início de Ondina depois do anoitecer, sentiam-se inseguras e não contavam com todo o visual proporcionado pela “nova” configuração da orla. “Lembro como se fosse hoje.Só vinha andar mesmo porque meu médico tinha me obrigado a exercitar, e como eu não gostava de academia, a orla era minha única opção. Morria de medo. Era tudo muito escuro. A maioria dos bares não ficava até muito tarde. Depois do segundo assalto, tive que mudar meu horário de caminhada”, relatou frustrada a aposentada Iraci Magalhães de 78 anos.</p>
<p>De 1997 a 1998, no mandato do então prefeito Antônio Imbassahy, o trecho do Porto da Barra até o início de Ondina ganhou essa iluminação especial, em homenagem ao aniversário da cidade – vale ressaltar que a inauguração dessa iluminação se deu no dia do aniversário de Salvador. &#8220;Do Porto ao Cristo são 69 postes, mais oito refletores de 1000 volts voltados para a praia. Além disso, cada refletor possui uma luminária de 400 volts que ilumina a via pública. Ao redor do Cristo, 45 postes iluminam exclusivamente àquela região”, explicou o coordenador de iluminação pública, Raimundo Silva.<br />
<strong><br />
Noite no Porto<br />
</strong>Do alto do forte São Diogo, localizado a poucos metros da praia, se tem uma vista panorâmica da baía e do Porto da Barra. Um mar com águas calmas. Meia dúzia de barquinhos atracados ilustram a paisagem dessa, que foi a praia que serviu de palco para a fundação da cidade – afinal de contas, os livros de história não negam que Tomé de Souza em 1549, desembarcou aqui com sua tripulação e fundou a cidade do Salvador. Enquanto há sol, as atividades praieiras se seguem na normalidade. Banho de mar, peteca, vôlei de praia, natação, entre outras práticas rotineiras em uma praia. Se engana quem pensa que quando o sol desaparece no horizonte, a praia fica deserta. Em plena segunda-feira, às 18h41 era fácil identificar os adoradores de uma praia à luz da lua. Pessoas tocando violão, jogando dominó, futebol, nadando, fazendo cooper na areia, ou simplesmente sentadas, deslumbrando a lua cheia que reinava absoluta e refletia todo o seu clarão nas águas límpidas e iluminadas do Porto da Barra. Depois da iluminação, essas práticas que só eram viáveis com uma ajudinha do astro rei, tornaram-se cotidianas, possibilitando que baianos e turistas pudessem prolongar sua estadia no Porto.</p>
<p>Assim como a praia, todo o comércio que circunda a região tirou – e tira até hoje – proveito dessa luminosidade que se tornou fundamental para a vida dos freqüentadores daquele local. Ao chegar à praia, antes mesmo de descer as escadas – para quem não conhece o Porto, uma escadaria em estilo colonial leva o banhista da rua às areias – uma barraca de coco chama atenção. Primeiro pela sua decoração com azulejos brilhantes e coloridos e depois, por ser a barraca de coco mais antiga do Porto da Barra. Há 23 anos naquele mesmo local, o proprietário Marco Pólo, assim conhecido por todos, fala com orgulho do seu comércio e sente-se favorecido com a iluminação. “Essa iluminação ajudou muito a Barra. Posso dizer que ela revitalizou o bairro”. Ao ser perguntado sobre o seu faturamento antes e depois da iluminação, Pólo afirma com bom humor: “Modéstia parte, meu movimento sempre foi bom, mas depois da iluminação é claro que ele melhorou e muito. Antes eu fechava às 19h e hoje em dia fecho às 22h, 23h e se o movimento tiver bom, fico até meia noite”. Nascido e criado na Barra, como ele mesmo diz, o vendedor de coco com seus 53 anos não tem vontade de parar com esse comércio e se emociona ao falar que é seu desejo que aquilo seja passado de geração em geração.</p>
<p><strong>Atletas de plantão<br />
</strong>Os aproximados 3,5km que separam o Porto da Barra da Ondina se transformam em verdadeiras pistas de cooper daqueles que prezam por uma atividade física ao ar livre. Nada melhor do que andar, correr, pedalar, jogar peteca ou futebol ouvindo o barulho do mar e sentindo um vento fresco batendo no corpo. Com a instalação dos postes na orla em 97/98, essas atividades se tornaram ainda mais prazerosas de serem praticadas. O estudante de Relações Internacionais Thiago Cestari, tem o costume de fazer cooper do Porto a Ondina todos os dias. Para ele, o horário mais agradável para a prática dessa atividade é entre ás 17h:30 e 19h. “Se a orla não fosse iluminada com certeza não viria correr nesse horário por dois motivos. Primeiro, o risco de me acidentar fazendo cooper no escuro é muito maior, afinal de contas os obstáculos são disfarçados na escuridão. Segundo, por um motivo de força maior que é a segurança” , comentou Cestari apressado para continuar sua corrida.</p>
<p>A Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Entretenimento, SMEL, criou um painel que organiza através de horários a prática de esportes na praia do Porto da Barra. De acordo com a SMEL, o vôlei e o futevôlei são liberados todos os dias da semana pela manhã e pela tarde, com exceção dos sábados e domingos que é permitido das 17h ás 22h. Além desses, a peteca, o futebol de areia e o frescobol são liberados de segunda a domingo no mesmo horário – 17h às 22h. Segundo Rodrigo Corrêa, 32 anos, administrador e jogador de futevôlei na praia do Porto desde os 23, os freqüentadores e praticantes de esportes na praia respeitam àquela grade de horários criada pela secretaria. &#8220;Essa é uma forma nova e eficaz de solucionar problemas em relação aos horários dessas atividades esportivas. Todo mundo que joga desde peteca ao futebol respeita os prazos pré-estabelecidos, fazendo com que se evite qualquer tipo de confusão, como já aconteceu aqui”, relatou.</p>
<p><strong>Vida noturna x Violência</strong><br />
É normal em toda capital brasileira com grande número de habitantes que a violência seja uma das muitas dores de cabeça das autoridades. Ainda mais tratando-se de Salvador que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, tem uma população estimada em aproximadamente 3 milhões de habitantes, sendo cerca de oito por metro quadrado. Mas essa violência não abala, relevantemente, a vida noturna da orla da Barra, ainda mais com essa iluminação que completou nove anos no último aniversário da cidade. Seu Ademir, como é conhecido pelos funcionários e clientes do bar Barravento, no qual é gerente há oito anos, afirma com convicção que a iluminação da orla espantou muito bandido das redondezas. Ademir foi garçom por muito tempo e com o passar dos anos se tornou gerente do bar, que tem 47 anos de funcionamento. Segundo ele, a mudança importante com a implantação dos postes de iluminação especial na orla teve reflexo para o bar somente no quesito da segurança, tendo em vista que o bar é tradicional e o fluxo de clientes manteve-se igual à época em que não havia luz da maneira que se tem hoje. “Além de tornar um visual mais bonito, a iluminação da orla afastou muito os ladrões. Não vou dizer que não tem mais ladrão hoje em dia, mas diminuiu bastante”, falou o jovial gerente no auge dos seus 72 anos.</p>
<p>O tradicional dá espaço ao moderno e despojado em uma lanchonete na frente do Barravento. Com uma fachada amarela e laranja, bancos de acrílico dentro do lugar dando um ar mais jovial e tendo como principal pedida da casa o açaí, o Crisp Juice Bar, como o nome já diz, representa a parte nova da Barra. Existente há sete meses, o bar comandado pela paulista Fernanda Dennis, recém chegada à Bahia, já foi assaltado duas vezes. Revoltada com tamanha apatia por parte dos policias &#8211; mesmo depois de ter ido duas vezes ao módulo mais perto, não teve seu problema solucionado – ela desabafa: “Não me sinto segura aqui. Essa iluminação, em minha opinião, diminui, mas não acaba com problemas de ordem criminal. Não se pode dar para iluminação uma responsabilidade que é da polícia. Nem tudo são flores nessa orla, apesar dos diversos comentários positivos que ouço das pessoas que sentam aqui”.</p>
<p>A equipe do SOTEROPOLITANOS esteve na 11ª Companhia Independente da Barra/Graça, uma espécie de delegacia de bairro. O Tenente Marcos, responsável por essa PM Comunitária, não nos forneceu dados concretos sobre o índice de ocorrências na Barra antes e depois da iluminação, mas afirmou que a implantação de postes na orla facilitou a ação dos policias. “Mesmo sem dados concretos tenho certeza que houve uma redução no índice de criminalidade na orla em virtude dessa iluminação”, disse o jovem Tenente de 27 anos, que há um ano e meio exerce essa função na delegacia.</p>
<p><strong>Turismo</strong><br />
Carnaval, pontos turísticos conhecidos mundialmente, belas praias e um povo que sabe receber, fazem com que o número de turistas que visitam Salvador só faça aumentar. De acordo com o site oficial da Empresa de Turismo de Salvador, EMTURSA, Salvador é a quarta capital mais visitada do Brasil, perdendo apenas para Rio de Janeiro, Florianópolis e São Paulo. Visando atrair mais visitantes, a EMTURSA, na época em que a iluminação na orla da Barra estava em discussão, defendeu com unhas e dentes a implantação da mesma. O assessor de comunicação da EMTURSA, Rosalvo Júnior, em entrevista ao SOTEROPOLITANOS, disse que a campanha da empresa para que a iluminação deixasse o papel e se tornasse realidade foi pesada. “Em 97, quando a iluminação estava confirmada, tratamos de espalhar panfletos por toda cidade, além de divulgar em mídia nacional que a velha orla de Salvador ia ganhar cara nova”, falou entusiasmado o assessor que na época da implantação não prestava serviços a EMTURSA, mas acompanhou o processo de perto.</p>
<p>A primeira orla a ser iluminada foi a da Barra, e fez tanto sucesso, que outras orlas seguiram o mesmo caminho. A tendência, de acordo com uma projeção da Secretaria de Serviços Públicos, SESP, é que em cinco anos, todos os 52 km de orla marítima da cidade estejam devidamente iluminados. “Estamos fazendo nossa parte, iluminando e reformando trechos desde Amaralina até proximidades de Patamares. Com isso, temos a finalidade de aumentar o turismo noturno nas proximidades do mar. Cabe ao cidadão pagar seus impostos regularmente para que os serviços continuem em andamento”, explicou o coordenador de iluminação pública, Raimundo Silva. O cidadão usufrui de toda essa estrutura, mas paga um preço por cada adaptação de postes ou holofotes de grande potência, para cobrir os gastos da energia consumida pelos mesmos. Junto com os impostos da iluminação, a prefeitura anexou, desde a época da primeira iluminação pública de grande porte (Barra – Ondina) um outro imposto. Seria uma espécie de imposto extra, que não é distinguido na hora do pagamento. Apenas percebe-se um aumento compatível com as adaptações feitas na cidade.</p>
<p>O Porto da Barra com sua maré calma, a Avenida Oceânica à beira mar e o Cristo, que do alto de uma pequena montanha gramada abraça a cidade por inteira, receberam um presente de grande importância há nove atrás. Cabe a todos os cidadãos, zelar por isso, e continuar lutando para que Salvador se torne cada vez mais charmosa e atraente para os próprios baianos e os que vêm de fora ver de perto o que é que a Bahia tem.<br />
(maio de 2007)</p>
<p></span></p>
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		<title>Relaxamento no Jardim dos Deuses</title>
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		<pubDate>Tue, 22 May 2007 14:28:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[por Laís Buri
Céu azul, sol forte, grama, mar, brisa, coqueiros, barulho das ondas. Esse é o cenário propício para esquecer a rotina e se entregar às belezas da natureza. Enquanto milhares de pessoas buscam esse ambiente para relaxar, outros fazem desse local o seu ambiente de trabalho. Unir o útil ao agradável é a proposta [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdaorla.wordpress.com&blog=1555225&post=28&subd=soteropolitanosdaorla&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="justify"><a href="http://bp3.blogger.com/_973wIKk3WZc/RoMSe_zriGI/AAAAAAAAAvg/mbyJ3IzZtyU/s1600-h/laisburi.jpg"><img border="0" src="http://bp3.blogger.com/_973wIKk3WZc/RoMSe_zriGI/AAAAAAAAAvg/mbyJ3IzZtyU/s320/laisburi.jpg" style="float:right;cursor:hand;margin:0 0 10px 10px;" /></a>por Laís Buri</p>
<p>Céu azul, sol forte, grama, mar, brisa, coqueiros, barulho das ondas. Esse é o cenário propício para esquecer a rotina e se entregar às belezas da natureza. Enquanto milhares de pessoas buscam esse ambiente para relaxar, outros fazem desse local o seu ambiente de trabalho. Unir o útil ao agradável é a proposta dos massoterapeutas do Jardim de Alá.<span class="fullpost"> O projeto teve início há doze anos, foi idealizado pela Policia Militar. Era o chamado Verão Light. Tinha o objetivo de levar a população condições para manter uma boa saúde e condicionamento físico. Era disponibilizado aulas de educação física, sessões de massoterapia, fisioterapia e alongamentos. O projeto se deslocou para o Jardim dos Namorados, mas o massoterapeuta Henrique Costa, encantado pelo ambiente, deu continuidade ao seu trabalho no mesmo local. “Eu trabalhava no centro de educação física da polícia militar e fazia massagem entre quatro paredes. Chegando ao Jardim de Alá fiquei fascinado pela beleza desse lugar que faz jus ao nome, Jardim dos Deuses, e por isso quis continuar aqui”, conta Costa.<span id="more-28"></span></span><span class="fullpost"> O ex sargento ainda revela que quando iniciou solitário o seu projeto, ficou um mês sem fazer massagem, pois as pessoas tinham receio de se expor. Com o passar do tempo foi ganhando clientela e credibilidade. E a partir daí, outros massoterapeutas resolveram aderir a sua idéia, e praticar a massagem ao ar livre. E hoje, o gramado do Jardim dos Deuses está repleto deles.</p>
<p>Eles não trabalham em equipe, por isso o espaço já está se tornando pequeno para atender a demanda desses profissionais, que buscam um espaço a beira-mar para exercer o seu ofício. Em função dessa grande procura, está sendo criado o Sindicato dos massoterapeutas do Jardim de Alá, visando controlar o número desses profissionais, que por estar crescendo tanto, atrapalha não só eles como as pessoas que freqüentam o local. “O Jardim de Alá é um espaço público, não é só dos massoterapeutas. E, entretanto, eles estão tomando conta de toda a área. Não temos mais espaço para circular na grama, as crianças não podem mais brincar. Cada metro quadrado aqui é acirradíssimo&#8221; revela Maria Cândida, que pratica “cooper” na orla a sete anos.</p>
<p><strong>Amassando os músculos </strong></p>
<p align="justify">A massoterapia é uma técnica de massagem, que consiste em manobras com as mãos, e pode ser realizada em pessoas de todas as idades. Tem finalidade terapêutica, estética, emocional, anti-estresse, e desportiva. Através do toque, do amasso dos músculos, consegue aliviar as tensões e dores musculares, levando ao relaxamento. Além de ajudar na circulação sanguínea, melhorar a consciência corporal e o humor.<br />
A união de toda essa técnica com a natureza só podia dá certo, e deu. Hoje, a massoterapia na praia do Jardim de Alá é uma realidade, que a cada dia conquista mais adeptos. Foi o pioneiro nessa idéia, mas o sucesso foi tão grande que já existem profissionais atuando no Cristo da Barra, e no Dique do Tororó, apesar de não ser um número representativo.O projeto de massoterapia na praia já tem freqüentadores assíduos, e que não dispensam, se quer uma sessão. É o caso de Carlos Roberto, morador da região a 20 anos, e adepto dessa prática a 10. Ele declara que o contato com a natureza, associado à massoterapia relaxa e o renova. “O visual é maravilhoso, só de ver o mar já desestressa. A massagem é relaxante, depois dela me sinto novo, como se fosse um adolescente&#8221;.</p>
<p><strong>Jardim dos Deuses </strong></p>
<p align="justify">A grama forma um grande tapete verde, que contrasta com o azul do mar, e o horizonte. Os coqueiros dão um tom mais sereno ao local. O sol é escaldante, mas a brisa do mar ameniza o mormaço. É nesse clima, que as pessoas se rendem a deitar na maca e esquecer por sessenta minutos a correria do outro lado da Avenida Otávio Mangabeira.O sol forte não intimida quem está disposto a se desligar do estresse do dia-a-dia, mas mesmo assim, ele é combatido por um guarda-sol que cobre a maca. Depois de uma rápida conversa, o que será um tele-transporte para outro mundo, começa. O uso de cremes é opcional, mas a cliente da vez nega o recurso. A mulher está de biquíni, já que é essencial o uso de roupas leves. As mãos do massoterapeuta percorrem por todo o corpo dela, mas a relação é estritamente profissional e respeitosa. Ela permanece imóvel, de olhos fechados, às vezes solta um gemido de dor, outras de satisfação. O profissional é atento a cada movimento, toque, e cada manobra é feita com muita delicadeza.</p>
<p>O som não é apropriado para o momento. Carros circulam na avenida, buzinas, freadas bruscas e até palavrões. Pessoas passam conversando, ambulantes berrando, mas, sobretudo um trator insistentemente executa a sua obra a poucos metros. Mas parece que nada disso atrapalha aquela sessão. Nada tira a concentração do massoterapeuta, e muito menos a entrega da cliente. É como se estivessem em outro lugar.</p>
<p>Após exatas uma hora, acaba. A mulher lentamente vai abrindo os olhos, e o sorriso de satisfação logo vem à tona. “Depois dessa vou mudar de nome. Me sinto outra pessoa. Parece que tirou um peso de mim. Vou flutuando pra casa!&#8221; revela de forma divertida a estudante de direito, Maria Luiza de 22 anos.</p>
<p><strong>Concorrência</strong></p>
<p align="justify">O projeto de massoterapia na praia já tem 12 anos, no entanto a massoterapia em si, é realizada em Salvador há mais tempo. Existem centenas de espaços que executam essa atividade, a fim de permitir que o cliente atinja uma melhor qualidade de vida.O profissional que coloca em prática essa técnica não precisa ter nível superior, apesar de muitos fisioterapeutas aderirem a essas manobras manuais. É necessário apenas, fazer um curso de especialização, e você está pronto para aliviar tensões, e promover o relaxamento. Assim como a massagem na praia tem a sua clientela, as massagens em clínicas especializadas também têm os seus fiéis. “Eu acho interessante esse projeto na praia, mas estou satisfeita com a clínica. Não me sentiria bem sendo massageada no meio da rua. Além de não ser um lugar reservado, e livre de barulhos. Acredito que tem que ser um momento tranqüilo, o que com certeza esse local não propicia”, declara a aposentada Djalma Pereira, 69 anos.</p>
<p>A idéia de aliar natureza e massoterapia atrai um grande contingente de pessoas, tanto profissionais, como os interessados em sentir na pela os benefícios dessa técnica. Mas ainda sim, essa prática não é considerada ameaçadora pelos massagistas de clínicas especializadas. A fisio e também massoterapeuta, Carla Amorim afirma que não se sente ameaça com o sucesso do projeto. Acredita que cada ambiente tem o seu público, além da confiança no profissional. “Gosto do projeto, e até já me submeti. Adorei! Mas tenho clientes que não se exporiam dessa forma. Preferem um lugar mais tranqüilo, sem movimento e pessoas ao redor”, afirma confiante Amorim.<br />
(maio de 2007)</p>
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